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Projeto quer transformar casca de coco em carvão ecológico no Ceará

A iniciativa visa implantar em Trairi uma indústria voltada para a reciclagem da casca do coco
O Ceará produz diariamente até 350 mil cascas de coco verde. Foto: Divulgação/ UECE

O deputado estadual Acrísio Sena participou, nesta quarta-feira (6), de uma reunião na Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Estado para discutir a reciclagem da casca do coco verde na produção de carvão ecológico.

O encontro contou com a presença do secretário Rennys Frota e de representantes da RECOCO (Reciclagem e Aproveitamento de Coco) e da COOPERAI (Cooperativa Agropecuária do Trairi).

A articulação busca viabilizar a implantação, em Trairi, de uma indústria voltada para a reciclagem da casca do coco e produção de carvão ecológico, transformando resíduos em oportunidade de geração de emprego, renda e sustentabilidade.

De acordo com dados apresentados pela cooperativa, o Ceará produz diariamente até 350 mil cascas de coco verde, o que reforça a necessidade de soluções ambientais e econômicas para o reaproveitamento do material.

Para Acrísio, o projeto fortalece a economia circular e posiciona o Oeste do Ceará como referência em inovação sustentável. “O carvão ecológico alia qualidade, eficiência e preservação ambiental, além de gerar novas oportunidades para a população”, destacou.

UECE e Energia Pecém

A Universidade Estadual do Ceará (Uece), em parceria com a Energia Pecém, iniciou o desenvolvimento do projeto em junho do ano passado. A iniciativa faz parte de Projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação – PD&I Aneel e tem como foco a produção de carvão híbrido a partir da casca de coco.

O processo utilizado é a pirólise, uma técnica que consiste no aquecimento da biomassa (como a casca de coco) a altas temperaturas, entre 400 °C e 700 °C, em um ambiente com pouco ou nenhum oxigênio.

Nessa condição, a queima do material é evitada, e os compostos orgânicos se decompõem, originando três subprodutos: o biocarvão (ou biochar), gases não condensáveis e bio-óleo.

O biocarvão resultante apresenta alta porosidade e grande capacidade de retenção de carbono, podendo ser utilizado como material adsorvente ou energético. Além de dar um destino útil à casca de coco, um resíduo comum no Brasil, o processo tem potencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, substituindo parcialmente o uso do carvão mineral.

Entre os principais benefícios da iniciativa estão o aproveitamento sustentável de resíduos, a geração de energia limpa e a contribuição para a economia circular, transformando desperdício em recursos.