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Defensoria Pública do Ceará lança campanha sobre economia do cuidado e impacto nas mulheres

A iniciativa busca dar visibilidade a um trabalho historicamente invisibilizado nas estatísticas econômicas, mas essencial para o funcionamento da sociedade
Levantamentos do IPEA mostram que mulheres dedicam, em média, 10 horas a mais por semana aos afazeres domésticos do que os homens (Foto: Reprodução | DPCE)

A Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE) lançou a campanha “Elas sentem o peso” com o objetivo de ampliar o debate sobre a chamada economia do cuidado e seus efeitos na vida das mulheres. A iniciativa busca dar visibilidade a um trabalho historicamente invisibilizado nas estatísticas econômicas, mas essencial para o funcionamento da sociedade.

O lançamento marca um esforço institucional para trazer ao centro da discussão pública a sobrecarga enfrentada por milhões de mulheres, que acumulam tarefas domésticas, cuidado com filhos, idosos e pessoas enfermas, muitas vezes sem remuneração ou reconhecimento. Esse cenário impacta diretamente a autonomia financeira, a saúde e as oportunidades profissionais femininas.

Segundo a DPCE, a campanha nasce da experiência cotidiana da instituição. Nos atendimentos realizados, mulheres aparecem como as principais usuárias do sistema de justiça, frequentemente relatando situações de vulnerabilidade associadas ao trabalho de cuidado.

Entre os casos mais comuns estão histórias de mulheres que dedicaram anos à família e, após separações, precisam reconstruir a vida sem independência econômica. Também são recorrentes situações em que, mesmo com guarda compartilhada, a maior parte das responsabilidades permanece com as mães. Além disso, muitas assumem sozinhas o cuidado de familiares idosos ou doentes, acumulando múltiplas jornadas.

Dados reforçam desigualdade

Levantamentos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram que mulheres dedicam, em média, 10 horas a mais por semana aos afazeres domésticos do que os homens. Esse desequilíbrio limita a inserção no mercado de trabalho, reduz a renda e contribui para o adoecimento.

Atualmente, elas representam mais de 60% dos afastamentos por questões de saúde mental no Brasil, evidenciando os impactos diretos da sobrecarga e da desigualdade na divisão do cuidado.

A ação integra a campanha institucional “Entrelaços – A Defensoria que cuida da gente“, que pretende estimular reflexões sobre os efeitos sociais, jurídicos e econômicos do cuidado não remunerado. As atividades são voltadas tanto ao público interno quanto à sociedade civil, reforçando o compromisso com uma atuação mais sensível às desigualdades de gênero.

Reflexão coletiva

Com ampla rede de parceiros atuando de forma voluntária, a campanha convida a sociedade a refletir sobre a corresponsabilidade no cuidado e a necessidade de reconhecimento desse trabalho como parte fundamental do desenvolvimento social.

Ao longo das próximas semanas, a Defensoria pretende intensificar o debate, reforçando a urgência de políticas públicas e mudanças culturais que promovam maior equidade na divisão das responsabilidades domésticas e familiares.