O arcebispo de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, OSB, afirmou que a Igreja Católica teve papel fundamental na preservação do patrimônio cultural brasileiro. A declaração foi feita na segunda-feira (5), em Brasília (DF), durante a abertura do II Seminário Nacional de Patrimônio Cultural Católico e do III Encontro dos Equipamentos e Centros Culturais Católicos.
“Se hoje o Brasil ainda pode se orgulhar de ter um dos mais ricos patrimônios culturais das Américas, devemos isso, em grande medida, à tenacidade, ao amor e à fé do povo católico e de seus pastores”, disse o arcebispo.
Dom Gregório também afirmou que a preservação desse patrimônio ocorreu mesmo diante de períodos de falta de recursos e reconhecimento. “Num mundo que tantas vezes destrói por ideologia, que vende por ganância, que esquece por indiferença, a Igreja conservou”, afirmou. “Quando faltavam recursos, a Igreja manteve o sacristão. Quando faltava reconhecimento, a Igreja manteve o sino a repicar”, continuou.
Igreja e memória cultural do Brasil
Presidente da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Gregório relacionou a formação histórica do país à presença da fé católica. O arcebispo afirmou que o Brasil nasceu “à sombra da Cruz” e destacou a relação entre a história nacional e a tradição católica, citando manifestações como o barroco mineiro, as igrejas centenárias do Nordeste e os arquivos e bibliotecas diocesanas que preservam documentos da história brasileira.
Segundo Dom Gregório, os bens culturais da Igreja possuem valor histórico, artístico e espiritual, mas não devem ser compreendidos apenas como objetos de preservação. “A Igreja nunca construiu para si. Construiu para Deus, e Ele doou para o povo fiel”, disse.
“Conservar não é engessar”
Dom Gregório defendeu uma concepção de preservação que mantenha os espaços religiosos em uso e vinculados à comunidade. “Conservar não é engessar; conservar é manter vivo. É restaurar o telhado para que a Missa continue. A Igreja conservou porque creu que a Beleza evangeliza”, afirmou.
Para o arcebispo, a preservação do patrimônio material está diretamente relacionada à dimensão religiosa desses espaços e à continuidade da fé. “O maior bem cultural que a Igreja possui é a fé do seu povo”, disse Dom Gregório. Segundo ele, é para servir a essa fé “que toda arte, toda pedra e toda tinta existem”.
Seminário em Brasília
O II Seminário Nacional de Patrimônio Cultural Católico e o III Encontro dos Equipamentos e Centros Culturais Católicos são promovidos pela Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da CNBB, em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A programação discute a preservação, gestão e valorização dos bens culturais ligados à Igreja Católica no Brasil. O seminário ocorre no contexto de ações voltadas à catalogação de acervos, capacitação de agentes e gestão integrada do patrimônio sacro.
