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Troca na SSPDS: Lembre quatro pontos marcantes da segurança pública com Samuel Elânio

Foto: Divulgação/Governo do Ceará

A troca no comando da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSDPS) na manhã desta segunda-feira (27) já era cobrada pela oposição do governador Elmano de Freitas (PT). Casos de violência como chacinas, tentativas de chacinas e assassinato de vereadores levanta a pauta da insegurança nos bastidores da política cearense. Samuel Elânio era o titular da pasta desde abril de 2021, durante o segundo mandato do agora ministro da Educação, Camilo Santana (PT), à frente do Palácio da Abolição. O secretário deixar o cargo para Roberto Sá, delegado da Polícia Federal (PF).

O OPINIÃO CE destaca nesta matéria quatro episódios marcantes da Segurança Pública e de Samuel Elânio durante a sua gestão à frente da Segurança Pública e Defesa Social desde o início do Governo Elmano.

CHACINAS

Desde o início de 2023, pelo menos cinco chacinas e uma tentativa de chacina foram registradas no Ceará. Os casos acarretaram 20 mortes. Cada crime correspondeu ao falecimento de quatro pessoas. A primeira registrada no período desde o início de 2023 foi em 11 de fevereiro do ano, em Ibicuitinga, no Sertão Central cearense. Na ocasião, quatro pessoas da mesma família foram assassinadas a tiros e uma criança foi baleada na cabeça.

Ainda no mesmo ano, houve mais uma chacina e outra tentativa. Esta, em 20 de setembro, ocorre na Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Na ocasião, cinco pessoas foram baleadas. Já no dia 30 de outubro, em Itarema, no Litoral Norte, quatro pessoas foram mortas na Enseada dos Patos, na região litorânea do Município. Dentre as vítimas, um homem e três mulheres, esteve uma adolescente de 13 anos.

Após a virada do ano, pelo menos três já foram registradas em menos de um semestre. Em 17 de fevereiro, aliás, foram duas no mesmo dia, uma na Caucaia, e outra em Aracoiaba, no Centro-Sul cearense. Na cidade da Grande Fortaleza, foram quatro mulheres assassinadas, e em Aracoiaba, quatro homens. O outro caso ocorreu em Cascavel, também na RMF, no dia 3 de março, em que outros quatro homens foram mortos.

ASSASSINATO NO IJF

No último mês de abril, um funcionário do Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), na capital Fortaleza, foi morto a tiros e teve a sua cabeça decapitada. Ainda no mesmo dia, em coletiva, Elânio afirmou que o caso se tratou de um “crime passional”. Assim, conforme o titular da SSPDS, não se tratava de um caso de segurança pública.

“Essa pessoa está identificada. As forças de Segurança do Estado do Ceará já estão procurando o responsável para realizar sua prisão em flagrante. Não se trata de segurança pública. Se o Município não é capaz de garantir a segurança com a Guarda Municipal do hospital, não caberia ao sistema de segurança pública do Estado do Ceará. A segurança pública é dividida por todos, inclusive pelo Município de Fortaleza, e esse fato aconteceu porque o Município não foi capaz, através da sua Guarda Municipal, do seu sistema de segurança municipal, de garantir a segurança”, criticou.

Conforme ele, o ex-funcionário autor do crime foi demitido em 2022 e conseguiu entrar na unidade com reconhecimento facial. O crime teria sido praticado “por ciúmes”, já que sua companheira também trabalhava no hospital.

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MORTES DE VEREADOR E SUPLENTE

Ainda a partir do mesmo mês, dois casos envolvendo assassinatos mexeram no meio político do Estado. No dia 28, o vereador de Camocim, César Veras (PSB), foi assassinado em um restaurante no município. Um garçom esfaqueou o parlamentar, no pescoço. Já em maio, no dia 7, o ex-vereador Erasmo Morais (PL) foi assassinado em frente à sua casa por tiros de fuzil. O caso resultou em debates entre a oposição e a base de apoio de Elmano

O deputado estadual Dr. Aloísio (União Brasil), em sessão na Assembleia, destacou a brutalidade do caso, que deveria haver uma investigação. “Não tenho formação em segurança pública. Sou educador, mas sei que um crime em que 47 tiros são disparados, desses, 36 de fuzil, é um crime grave e que precisa ser esclarecido”, afirmou. O parlamentar disse ainda que busca ser respeitoso e nunca acusar ninguém em suas falas. Osmar Baquit (PDT), da situação, afirmou em resposta que o prefeito do Município, José Ailton Brasil (PT), vinha se empenhando para elucidar o crime. 

Baquit disse, à época, que o chefe do Executivo municipal havia ligado duas vezes para Samuel Elânio, solicitando uma apuração rígida e rápida do caso, “para não ter nenhuma ilação com o nome dele”. “Mais que isso, ele ligou para o governador Elmano. Digo isso porque eu tive uma conversa com o prefeito”.

NÚMERO “RAZOÁVEL” DE MORTES

Neste mês de maio, em um dos últimos acontecimentos públicos envolvendo o ex-secretário, ele concedeu entrevista coletiva em que reconhecia o aumento no número de mortes por Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLI) no Ceará, mas que, se comparado a um período maior, o número ainda seria “razoável”

“Estamos falando de um aumento considerando reduções em cima de reduções. Obviamente, se tivermos um homicídio hoje e amanhã tivermos dois, aumentamos 100%. Mas, comparado com todo o período, um período bem maior do que esse, nós ainda estamos com um número razoável. Mas sabemos que devemos melhorar e vamos melhorar”, disse o secretário.

O prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT), aliás, rebateu as falas do secretário. Em suas redes sociais, o gestor classificou a fala como “posicionamento absurdo” e voltou a criticar o Governo Elmano no que concerne à política de combate às facções. “Um posicionamento absurdo e inacreditável do Secretário de Segurança sobre a criminalidade em Fortaleza e no Ceará. Enquanto isso, o governo do PT deixa o câncer das facções tomarem conta do nosso Estado e da nossa cidade”, escreveu.