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Médicos apontam falhas em UTIs públicas, com avaliações negativas até 4 vezes maiores

Pesquisa com 2.338 profissionais revela desigualdade entre serviços públicos e privados em 12 dos 13 aspectos avaliados, incluindo leitos, medicamentos e equipes especializadas
As avaliações positivas chegam a ser duas vezes maiores na rede particular, enquanto as negativas podem ser até quatro vezes mais frequentes no setor público. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma pesquisa com 2.338 médicos que trabalham em unidades de terapia intensiva (UTIs) no Brasil revela diferenças expressivas na percepção sobre a qualidade dos serviços públicos e privados.

Em diversos aspectos, as avaliações positivas chegam a ser duas vezes maiores na rede particular, enquanto as negativas podem ser até quatro vezes mais frequentes no setor público.

O levantamento integra o Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras, realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Os participantes atribuíram notas de 0 a 5 a 13 aspectos considerados essenciais para o funcionamento das unidades, incluindo infraestrutura, disponibilidade de leitos e medicamentos, qualificação das equipes, fluxos de pacientes e protocolos clínicos.

DESAFIOS

Em nota, a Amib destacou que a análise conjunta das respostas permite identificar problemas que afetam a assistência sob a perspectiva dos profissionais responsáveis pelo atendimento a pacientes graves.

Para a entidade, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas que priorizem a estruturação das UTIs em diferentes áreas, sem limitar os investimentos à ampliação do número de leitos.

A associação também informou que pretende apresentar o diagnóstico a gestores públicos e privados e a autoridades responsáveis pela fiscalização e pelo controle, com o objetivo de defender a adoção das recomendações do inquérito.

“Eventuais mudanças terão impacto em 43.901 leitos de UTI distribuídos pelo país, sendo 34.927 destinados a adultos e 8.974 à pediatria e neonatologia”, destacou a Amib.

MEDICAMENTOS E LEITOS

Entre os pontos avaliados, a disponibilidade de medicamentos essenciais apresentou uma das diferenças mais expressivas. Apenas 22,7% dos médicos consideraram totalmente adequada a oferta desses insumos nas UTIs do Sistema Único de Saúde (SUS). Nos serviços particulares ou vinculados a planos de saúde, o índice chegou a 57,7%.

Na avaliação negativa sobre o fornecimento de medicamentos, 16,1% dos entrevistados classificaram a situação na rede pública como inadequada ou totalmente inadequada. No setor privado, o percentual foi de 3,8%.

A percepção sobre a quantidade de leitos também apresentou diferença significativa. Na rede pública, 24,1% dos profissionais atribuíram nota máxima à suficiência de vagas em UTIs. Entre as unidades particulares ou ligadas a planos de saúde, a proporção alcançou 51,4%.

PROTOCOLOS CLÍNICOS

A disponibilidade e o acesso a protocolos de atendimento e conduta clínica seguiram a mesma tendência. Na rede pública, 23,1% dos médicos deram nota máxima a esse aspecto, enquanto, no setor privado, o percentual chegou a 40,2%.

Considerando as notas mais baixas — 0, 1 e 2 —, 32,6% dos participantes avaliaram negativamente a disponibilidade de leitos no SUS. Outros 27,4% atribuíram as menores notas aos protocolos de atendimento.

Nos serviços privados, as avaliações mínimas corresponderam a 7,7% no quesito disponibilidade de leitos e a 14,3% na análise dos protocolos clínicos.

A diferença entre os dois segmentos apareceu em 12 dos 13 aspectos analisados. A única exceção foi a avaliação das tarefas administrativas e burocráticas, que apresentou percepções semelhantes entre os profissionais das redes pública e privada.

EQUIPES ESPECIALIZADAS

A presença de equipes multiprofissionais especializadas também foi avaliada de forma mais favorável no setor privado. Nesse segmento, 39,2% dos médicos deram nota máxima ao quesito, contra 23% na rede pública.

As notas mais baixas para esse aspecto foram atribuídas por 24,8% dos entrevistados que avaliaram os serviços públicos e por 13,8% dos que analisaram os particulares.

A formação específica dos enfermeiros em terapia intensiva também apresentou diferenças. A avaliação máxima foi registrada por 25,1% dos médicos no setor privado, ante 16,9% na rede pública.

Já as avaliações negativas sobre a presença desses profissionais com formação especializada alcançaram 37,2% no SUS e 26,4% nos serviços particulares ou vinculados a planos de saúde.

Com informações da Agência Brasil.