As investigações sobre o plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltaram a despertar grande interesse dos brasileiros nesta terça-feira (20). A expressão “Bolsonaro mandou matar Lula” disparou nas pesquisas do Google após uma iniciativa do deputado federal André Janones (Rede-MG) para ampliar a divulgação do caso.
Com base em dados do Google Trends, o interesse pela expressão cresceu mais de 5.000%. No Ceará, até o momento em que essa matéria está sendo publicada, a frase segue há 16hrs em primeiro lugar nas pesquisas do Google, com mais de 20 mil buscas.
A mobilização trouxe novamente ao debate público as descobertas da Polícia Federal sobre o plano “Punhal Verde e Amarelo”, investigado no âmbito da tentativa de golpe de Estado de 2022.
O caso envolve um plano para assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que Jair Bolsonaro tinha conhecimento da trama e havia concordado com o planejamento. A defesa do ex-presidente nega qualquer envolvimento.
A existência do plano foi documentada durante as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado de 2022.
Resultados do Google
A repercussão da expressão levou a questionamentos sobre os resultados apresentados pelo Google. Em busca realizada pelo Opinião CE, a plataforma não exibiu sua resposta automática de inteligência artificial e colocou entre os três primeiros resultados uma reportagem que atacava o deputado André Janones (Rede-MG) por incentivar justamente essa pesquisa.
A primeira opção de busca é a reportagem publicada na terça-feira (20) pelo ICL Notícias informando justamente o resultado da pesquisa realizada pela equipe do jornal. Ao pesquisar a frase “Bolsonaro mandou matar o Lula”, o portal encontrou no topo das buscas a matéria intitulada como “Jogada suja de Janones dissemina busca que associa Bolsonaro a plano de morte contra Lula”, a mesma encontrada pelo Opinião CE.

Ao repetir a consulta com nomes como “João” e “Elisa” no lugar de Bolsonaro, o Opinião CE observou que o Google passou a oferecer respostas automáticas de inteligência artificial.
Ao perguntar diretamente para o Modo IA do Google, a plataforma respondeu que “não há nenhuma condenação ou ordem direta comprovada de Jair Bolsonaro para matar Luiz Inácio Lula da Silva”.
Por que a expressão viralizou no Google?
O aumento das pesquisas aconteceu depois que André Janones incentivou integrantes do grupo “Exército do Lula”, no WhatsApp, a procurar no Google a expressão que relaciona Jair Bolsonaro a um plano para matar o presidente.
A mobilização tinha como objetivo ampliar a circulação de informações sobre as investigações da tentativa de golpe de Estado. A iniciativa ganhou repercussão nas redes sociais e provocou um crescimento expressivo no volume de pesquisas relacionadas ao assunto.
Janones coordena ações digitais de apoio à campanha de reeleição de Lula e administra o canal “Exército do Lula”, que reúne milhões de seguidores.
O que foi o plano para assassinar Lula?
A investigação que voltou a repercutir está relacionada ao chamado plano “Punhal Verde e Amarelo”, identificado pela Polícia Federal durante as apurações sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais de 2022.
Segundo os investigadores, o planejamento previa ações para assassinar o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, seu vice, Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes.
O documento foi elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes, que ocupava um cargo na Secretaria-Geral da Presidência da República durante o governo Bolsonaro. De acordo com a investigação, o plano foi impresso no Palácio do Planalto em 9 de novembro de 2022.
Naquele mesmo dia, Mário Fernandes esteve no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, conforme registros de entrada identificados pela Polícia Federal.
O documento previa a utilização de diferentes métodos para eliminar as autoridades, incluindo explosivos, armas de fogo e envenenamento. As investigações também identificaram atividades de monitoramento dos possíveis alvos e discussões sobre a execução das ações.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o planejamento não foi colocado em prática porque seus responsáveis não conseguiram obter, na última hora, o apoio necessário do comando do Exército.
Bolsonaro sabia do plano para matar Lula?
Na denúncia apresentada ao STF em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República afirmou que Jair Bolsonaro tinha conhecimento do plano de assassinato e teria concordado com sua execução.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustentou que o documento foi apresentado ao então presidente. “O plano foi arquitetado e levado ao conhecimento do Presidente da República, que a ele anuiu”, afirmou a PGR.
A acusação também apontou que Bolsonaro teria acompanhado o desenvolvimento das ações e as discussões sobre uma possível data para colocá-las em prática.
“A ciência do plano pelo presidente da República e sua anuência a ele são evidenciadas por diálogos posteriores, comprobatórios de que Jair Bolsonaro acompanhou a evolução do esquema e a possível data de sua execução integral”, escreveu Gonet.
A defesa de Bolsonaro negou que o ex-presidente tivesse participado ou autorizado qualquer planejamento para assassinar autoridades. As alegações da PGR sobre conhecimento e concordância também foram objeto de questionamentos sobre a força das provas apresentadas.
Bolsonaro foi condenado por mandar matar Lula?
Jair Bolsonaro não recebeu uma condenação específica por tentativa de homicídio contra Lula, nem há comprovação pública de que tenha dado uma ordem direta para assassinar o presidente. A distinção é importante porque ter conhecimento de um plano, concordar com ele e ordenar diretamente um assassinato são condutas diferentes.
Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.
Os crimes foram:
Organização criminosa armada;
Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
Golpe de Estado;
Dano qualificado contra o patrimônio público;
Deterioração de patrimônio tombado.
O julgamento terminou com quatro votos favoráveis à condenação e um voto divergente, apresentado pelo ministro Luiz Fux. Na decisão, Bolsonaro foi considerado o líder da organização criminosa envolvida na tentativa de impedir a posse de Lula após as eleições de 2022.
Qual é a situação de Jair Bolsonaro atualmente?
Depois da condenação, Bolsonaro começou a cumprir a pena em novembro de 2025. O ex-presidente foi inicialmente mantido sob custódia da Polícia Federal e posteriormente transferido para uma unidade da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecida como Papudinha.
Em 2026, passou a cumprir a pena em prisão domiciliar humanitária, autorizada pelo STF por questões de saúde. Em outubro, a defesa apresentou um pedido de revisão criminal para tentar anular a condenação de 27 anos e três meses.
Os advogados alegaram a existência de novos elementos que justificariam a reavaliação do processo e solicitaram a suspensão do cumprimento da pena durante a análise do pedido.
