Luiz Paulino de Araújo, estava com humor deprimido, mas apresentou melhora significativa depois de poder debulhar feijão no HRSC.
Foto: José Avelino Neto/Ascom HRSC
Luiz Paulino de Araújo, 76, paciente internado no Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), em Quixeramobim, viveu uma experiência inusitada durante o período de internação ao debulhar feijão dentro da unidade de saúde.
A ação foi possível após uma articulação da equipe multiprofissional do hospital, que identificou a saudade do paciente da vida no campo. Depois da atividade, ele apresentou melhora significativa no humor.
O estado emocional de Luiz Paulino, que antes se mostrava deprimido, mudou positivamente após o contato com os grãos retirados das vagens.
VIDA RURAL
Ao longo de seus 76 anos, mais de cinco décadas foram dedicadas ao trabalho na agricultura.
“Minha vida toda foi plantando. Tenho um comércio, mas o que eu sempre gostei mesmo foi de ir para o roçado”, relata Luiz Paulino de Araújo.
Em seu terreno no município de Tauá, onde reside, ele cultivou fava, milho, jerimum e feijão. Após o período de chuvas e o início da colheita, precisou ser internado para uma cirurgia na unidade da Secretaria da Saúde (Sesa).
Distante de casa e impossibilitado de realizar a colheita, o paciente passou a apresentar sinais de desânimo, o que chamou a atenção das equipes multiprofissionais do hospital.
CUIDADO
A enfermeira Cynara Nobre, integrante do Núcleo de Experiência do Paciente (Nexp) do HRSC, articulou a atividade junto às equipes da Unidade de Cuidados Especiais (UCE) e do serviço de Psicologia para atender ao desejo do paciente.
“A gente percebeu o quanto essa coisa da lida com a terra, na vida do seu Luiz, tinha uma relevância. E demos a mesma importância a esse fato, possibilitando não só que ele tivesse um desejo realizado, mas que pudesse se reconectar com sua essência”, analisa Cynara Nobre.
Foto: José Avelino Neto/Ascom HRSC
Situações fora do padrão habitual de internação também exigem avaliação do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), que atua para garantir segurança em cada etapa.
“Nós avaliamos os possíveis riscos como hipótese de contaminação do material, presença de sujeira ou matéria orgânica, e também as condições clínicas do paciente, o ambiente onde a atividade será realizada e os impactos para os demais. Só depois dessa análise é que a atividade pode ser liberada de forma segura”, explica a enfermeira do SCIH do HRSC, Anny Leal.
HUMANIZAÇÃO
A importância de iniciativas como essa é reconhecida em todo o hospital, especialmente no cuidado centrado na experiência do paciente.
“Uma das coisas mais impactantes nas instituições que promovem a cultura do cuidado centrado na pessoa é que esse cuidado foca na experiência do paciente. Nessa perspectiva, o agir profissional vai muito além da técnica: envolve captar o sentimento, a percepção e as necessidades de quem recebe o cuidado. Nesse sentido, nossas equipes, mais uma vez, inspiram e vão além. Sendo Hospital do Sertão, nessa ocasião, nós fizemos jus ao nome. Esse paciente singular nos oportunizou isso”, ressaltou o diretor-administrativo do HRSC, Elisfabio Duarte, que também preside o Núcleo de Experiência do Paciente (Nexp).
Durante a atividade, Luiz Paulino demonstrou emoção ao participar do momento, chegando às lágrimas enquanto realizava a debulha do feijão.
“Ave-maria, foi uma felicidade muito grande! Eu queria tá era lá [na roça], mas, se Deus quiser, eu volto já para casa e vou cuidar do meu roçado”, disse ele, entusiasmado.
A experiência foi celebrada pela equipe como um gesto de cuidado humanizado dentro do ambiente hospitalar.
“Foi gratificante para ele e para os nossos profissionais também. O sentimento é de realização para todos”, finaliza Elisfabio Duarte.
Este site usa cookies para garantir que você obtenha a melhor experiência de navegação. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies.