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Polícia Civil aponta ligação entre PCC e bebidas contaminadas com metanol em São Paulo

Secretaria de Segurança Pública investiga uso de etanol adulterado comprado por falsificadores; governador nega envolvimento do crime organizado
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o problema da contaminação por metanol não tem relação com o crime organizado, em contraste com as evidências apresentadas pela SSP-SP, que indicam envolvimento de organizações criminosas no esquema de adulteração. Foto: Paulo PInto/ Agência Brasil

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou nesta sexta-feira (10) que há forte indício de que a contaminação de bebidas com metanol tenha origem na compra de etanol combustível adulterado por falsificadores. A principal suspeita é de que o Primeiro Comando da Capital (PCC), investigado por fraudes em combustíveis e lavagem de dinheiro em postos, esteja envolvido.

O secretário Guilherme Derrite explicou, em entrevista coletiva, que o grupo criminoso lucrava ao adulterar o etanol e esse mesmo produto acabou sendo usado por fabricantes ilegais de bebidas. A prática teria ampliado os riscos de intoxicação entre consumidores e causado mortes em São Paulo.

A SSP-SP informou que os envolvidos podem responder por associação criminosa e homicídio culposo. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deve avaliar as linhas de apuração conduzidas pelas forças de segurança.

INVESTIGAÇÃO EM CURSO

A nova linha de investigação surgiu após o primeiro dos cinco óbitos confirmados em São Paulo. No bar frequentado pela vítima, a Polícia Civil (PCSP) apreendeu nove garrafas, oito delas com presença de metanol, variando de 14,6% a 45,1% do conteúdo total.

Segundo a Polícia Técnico-Científica, algumas das garrafas continham apenas metanol, sem traços de álcool etílico. No total, 1,8 mil garrafas foram apreendidas em estabelecimentos comerciais. Dessas, 300 já foram analisadas, e cerca de metade apresentou entre 10% e 45% de metanol.

Foto: Divulgação/ UFPR

Em depoimento, o dono do bar admitiu ter adquirido os produtos de uma distribuidora sem autorização. A empresa está sob investigação e, segundo a PCSP, utilizava etanol de posto de combustíveis na produção irregular das bebidas.

O secretário Guilherme Derrite afirmou que o falsificador comprou etanol para fabricar bebida e o posto vendeu combustível adulterado com metanol.

POSIÇÃO DO GOVERNO

No fim de setembro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que o problema da contaminação por metanol em bebidas é estrutural e não tem relação direta com o crime organizado. A declaração contrasta com as novas evidências apresentadas pela SSP-SP, que indicam possível envolvimento de organizações criminosas no esquema de adulteração.

Com informações da Agência Brasil.