A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pediu ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a revogação da prisão preventiva do dono do antigo banco Master. A argumentação da defesa é de que as investigações do caso Master foram paralisadas devido ao pedido de vista do ministro Flávio Dino na sessão plenária da última terça-feira (15).
Com a vista, os processos relativos à Operação Compliance Zero, que investiga Vorcaro, ficaram paralisados no gabinete de Fachin em meio à crise institucional pela qual o Supremo passa devido ao vazamento de mensagens e às supostas relações de integrantes da Corte com Vorcaro.
No pedido, os advogados de Vorcaro sustentam que seu cliente não pode ficar preso indefinidamente enquanto o Supremo vive um impasse em torno da própria relatoria do caso Master.
Eles destacaram ainda que o ex-banqueiro está preso há mais de 90 dias sem que o Supremo analise um recurso pela soltura.
“Na sessão plenária de 15 de setembro de 2026, a própria definição da relatoria e da competência para a condução dos procedimentos correlatos foi objeto de questão de ordem, cujo julgamento foi suspenso por pedido de vista”, diz a petição da defesa.
Vorcaro está preso desde novembro do ano passado. No momento, ele se encontra no 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, onde há um pavilhão voltado a presos especiais conhecido como Papudinha.
Crise no STF
O STF mergulhou em uma crise institucional sem precedentes desde que o ministro André Mendonça, relator do caso Master, decidiu levantar o sigilo sobre um relatório da Compliance Zero que traz mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes.
Em reação, Moraes divulgou um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) que sugere o direcionamento das investigações por Mendonça, de modo a atingir desafetos políticos. O documento, porém, não é assinado nem traz o timbre da corporação, além de ter na capa o aviso de que suas análises são “sem valor probatório”.
Moraes pediu que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O pedido entrou na pauta do plenário de 23 de setembro, mas acabou retirado por Fachin. Não há data prevista para o julgamento.
O cenário ficou ainda mais intenso após a sessão que iniciou o julgamento acerca da abertura de investigação contra Moraes. No dia, um pedido de ordem levantado por Gilmar Mendes iniciou uma votação para que o caso de Moraes fosse analisado de forma conjunta com o de André Mendonça.
