Movimentos populares de segurança pública vão apresentar aos candidatos das eleições de 2026 uma agenda nacional com propostas para a área. O documento será elaborado a partir das discussões da 1ª Conferência Popular de Segurança Pública do Brasil (ConsepBR), realizada em Fortaleza entre os dias 19 e 21 de agosto.
O encontro reuniu cerca de 300 participantes de 16 estados. A Carta Política, construída durante a conferência e a partir de aproximadamente 50 pré-conferências realizadas em diferentes estados, está em fase de sistematização e deverá reunir 27 pontos. Organizada pelos Fóruns Populares de Segurança Pública, a mobilização envolveu comunidades e organizações de 15 estados: Sergipe, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Pará, Amapá e Santa Catarina.
A proposta é levar para o debate eleitoral experiências de territórios e populações mais afetadas pela violência e formular uma agenda nacional de segurança pública.
Conferência debateu nove eixos
Durante os três dias de programação, representantes dos fóruns populares estaduais participaram de mesas de debate, grupos de trabalho, oficinas, atividades culturais e atos públicos.
As discussões foram organizadas em nove eixos: prevenção social ao crime e à violência; violência armada, controle de armas e munições; violência contra adolescentes e jovens; Sistema de Justiça Criminal; política de drogas; direito ao território; enfrentamento ao genocídio; fortalecimento das lutas e dos movimentos sociais; e comunicação e tecnologias.
As propostas resultantes do encontro foram reunidas na Carta Política e serão apresentadas aos candidatos nas eleições de 2026.
Dados sobre violência pautaram mobilização
A conferência ocorreu em meio à intensificação do debate sobre violência, criminalidade e políticas de segurança pública no Brasil.
Segundo dados citados pelos organizadores com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, as mortes decorrentes de intervenção policial representaram 16% das mortes violentas intencionais registradas em 2025. Ao todo, 6.602 pessoas foram mortas por agentes do Estado.
Mães do Curió participaram da abertura
A cerimônia oficial de abertura contou com a participação das Mães do Curió, grupo formado por mulheres de Fortaleza que perderam filhos na Chacina do Curió, ocorrida em novembro de 2015. O momento também teve apresentação do Coral de Crianças do Curió e uma mesa de conjuntura com representantes dos Fóruns Populares de Segurança Pública de diferentes estados.
Desde a chacina, as Mães do Curió atuam em defesa de políticas de segurança baseadas na prevenção social da violência e no controle externo da atuação policial.
