O pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), descartou qualquer possibilidade de apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa presidencial de 2026. Apesar de contar com o apoio do Partido Liberal em sua candidatura estadual, o ex-ministro afirmou que a aliança construída no Ceará não se estende ao cenário nacional.
Em entrevista publicada nesta sexta-feira (19) pela revista Veja, Ciro classificou como “insuperáveis” as divergências entre o PSDB e o PL no plano nacional.
“A nossa desavença nacional com o PL é insuperável. Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não teríamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional”, declarou.
Aliança no Ceará não muda posicionamento nacional
Nos últimos meses, o tucano consolidou uma aproximação com lideranças do PL no Ceará, embora enfrente resistência de setores da legenda ligados à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ciro tem reforçado que sua prioridade é a disputa pelo Palácio da Abolição e que, em relação à corrida presidencial, seguirá a orientação nacional do PSDB, que trabalha com o nome do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, como pré-candidato ao Planalto.
O ex-ministro chegou a ser convidado pela direção tucana para disputar a Presidência da República pela quinta vez, mas recusou a possibilidade e optou por concentrar esforços na tentativa de retornar ao comando do Governo do Ceará, cargo que ocupou entre 1991 e 1994.
Segurança pública é principal bandeira
Liderando as primeiras pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado, Ciro tem colocado a segurança pública como principal tema de sua pré-campanha.
Durante a entrevista, ele também comentou o avanço das facções criminosas no País. Embora discorde da decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, avaliou que a medida pode contribuir para ampliar mecanismos de combate ao crime organizado.
Nesta quinta-feira (18), Ciro apresentou as bases do debate de construção do seu plano de governo. O tucano detacou que o documento é um Plano Participativo de Gestão, nascendo, segundo ele, da necessidade de uma ampla discussão sobre as prioridades do Estado. As áreas consideradas “críticas”, no entendimento do grupo, são: segurança pública, saúde, emprego e gestão.
A grande aposta de Ciro e de sua equipe é garantir o caráter democrático do documento e a descentralização do debate. Por isso, também serão realizados sete encontros regionais para a formulação das propostas.
Críticas a Lula, Bolsonaro e ao PT
Mesmo focado na disputa estadual, Ciro voltou a fazer avaliações sobre o cenário político nacional. Na entrevista, o ex-ministro direcionou críticas tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao analisar o momento do Partido dos Trabalhadores, o tucano afirmou que a legenda enfrenta desgaste junto ao eleitorado. “Existe uma fadiga de material. O PT chegava aqui, na véspera da eleição, dizendo no carro de som que quem não votasse no partido ia perder o Bolsa Família. Hoje ninguém acredita mais”, declarou.
