O deputado federal André Janones (Rede-MG), em entrevista exclusiva ao Opinião CE, afirmou que o presidente Lula (PT) deveria adotar um Governo baseado na mobilização popular caso vença a eleição deste ano e chegue a um quarto mandato. Na avaliação do legislador, o presidencialismo por coalizão adotado pelo petista está “ultrapassado”.
De acordo com o parlamentar, que utiliza como exemplo o avanço da proposta do fim da escala 6×1, um possível novo mandato do presidente precisa mobilizar a população. “Que ele possa abandonar esse governo de coalizão e governar com o povo”, disse, destacando que o que pressiona o político não é a liberação das emendas, mas sim a pressão popular.
“A única coisa que mete medo em político é o povo na rua, político tem medo, fica tremendo embaixo da cama quando vê o povo na rua. Ameaça de não ser reeleito. Isso mostra essa força”, disse, ao comentar sobre a possível aprovação da redução da jornada de trabalho mesmo em um Congresso, segundo ele, com até 80% de representantes do centro e da direita.
Tentando o quarto mandato, Lula não poderia tentar uma nova reeleição em 2030. Questionado se o cenário, diante de uma incerteza acerca do sucessor do petista, poderia prejudicar um possível governo baseado na mobilização popular, o deputado afirmou que não haveria problema em adotar o modelo sugerido por ele caso o presidente se dedique, nos próximos quatro anos, a trabalhar a sucessão e fortalecer os partidos de esquerda.
“Vamos chamar de semi-coalizão, coalizão com outros partidos de esquerda, ampliar a aliança progressista e abandonar o centrão”, disse. “O centrão vem automaticamente com o clamor popular, está vindo apoiar o fim da escala 6×1 porque são covardes, frouxos, não têm coragem de enfrentar o povão”, finalizou, sobre o assunto.
“Jogo baixo” nas redes sociais
Em 2022, Janones deixou uma possível candidatura à Presidência para apoiar a candidatura de Lula. O formato adotado por ele nas plataformas faz com que ele receba críticas mesmo de parte da esquerda. Segundo o parlamentar, em 2026, a sua estratégia será a mesma, isto é, “espelhar a extrema-direita”, “jogar com as mesmas armas” e o mesmo “jogo baixo que eles jogam”.
Segundo o deputado, a extrema-direita se comunica bem nas redes sociais não por identificação com as pautas populares, mas por conta de um vácuo deixado pela esquerda.
“Quem tem o povo de verdade é a esquerda, então por que a direita está dialogando? Porque não existe vácuo na política. Se o cara está lá e ninguém está falando com ele, quem chegar vai levar. Não é porque chegou de esquerda ou direita, só chegou da extrema-direita, porque eles sabem comunicar como ninguém”, explicou.
Conforme ele, o Governo teve quatro anos para fazer a regulação das redes, ou, como disse Janones, o “dever de casa”. “A gente não fez nada do que a gente tinha que fazer, agora, infelizmente, o que a gente vai ter que fazer é novamente espelhar a extrema-direita”, afirmou, frisando que “ou baixa o nível” ou a esquerda perde as eleições.
“Na eleição passada, muita gente dizia que discordava dos meus métodos, eu também discordo, não concordo, não acho que é o correto, não acho que a gente tem que fazer um debate tão raso. Isso não soma em nada para o progresso do país”, ressaltou.
Ainda assim, ele apontou que não há tempo para rediscutir e tentar fazer um “debate ético”. “Vou ter que ‘ir para o pau’, ‘descer o cacete’. Usar as mesmas armas que eles, se não nós vamos perder a eleição. Deu certo, ganhamos, e tenho muito orgulho do papel que desempenhei em 2022”, frisou.
