O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias (PT), comentou nesta quinta-feira (7), durante agenda em Fortaleza, a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro. Ciro e Wellington travam uma disputa política no Piauí.
A declaração ocorreu após a deflagração da 5ª fase da Operação Compliance Zero, que cumpriu um mandado de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o parlamentar teria recebido pagamentos mensais do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de outras vantagens.
Ao ser questionado pelo Opinião CE, Wellington Dias afirmou que evita comemorar operações envolvendo adversários políticos e ressaltou que a legislação deve ser aplicada a todos. “Aprendi a nunca comemorar, como alguns, situações como essa. Claro, vivemos uma democracia, com legítima defesa e toda condição de apoio, mas a lei e a Constituição valem para qualquer um, seja rico, seja pobre, seja qual for o cargo ou situação”, declarou.
O ministro também disse que casos como esse acabam impactando o ambiente político, mas destacou que pretende manter o foco na articulação do grupo governista no Piauí. Segundo ele, o trabalho desenvolvido pelo governador Rafael Fonteles, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por aliados será determinante no cenário eleitoral.
“Temos uma história de muito trabalho, com Rafael como governador, com o presidente Lula, junto com o senador Marcelo Castro, com o deputado Júlio César e todo um time de estaduais e federais. Temos o que mostrar e é isso que vai contar quando chegar o momento certo das eleições”, afirmou.
PF aponta suspeita de pagamentos e benefícios
De acordo com a Polícia Federal, Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do empresário Daniel Vorcaro. A investigação também aponta supostos benefícios como viagens internacionais, hospedagens, despesas em restaurantes, uso de voos privados e imóveis de alto padrão.
As informações constam na representação apresentada pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nova fase da operação.
Segundo os investigadores, em troca das vantagens, o senador teria atuado em pautas de interesse do banqueiro, incluindo a chamada “Emenda Master”, apresentada à PEC nº 65 em agosto de 2024. O texto ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
Defesa nega irregularidades
Em nota divulgada nesta manhã, a defesa de Ciro Nogueira afirmou que repudia “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
Wellington Dias também destacou que, apesar das divergências políticas, sempre manteve relação respeitosa com o senador. “Nunca houve qualquer dúvida. O senador Ciro Nogueira é uma pessoa com quem sempre tivemos uma relação respeitosa, mas governo é governo e oposição é oposição. Cada um cuida do seu lado”, concluiu.
