A escala 6×1 e a jornada exaustiva de trabalho configuram formas de violência estrutural e econômica contra a mulher, segundo a deputada federal cearense Luizianne Lins (Rede-CE). O tema será debatido em audiência pública nesta quarta-feira (6), promovida pela Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher, no Senado Federal.
O encontro está marcado para as 14h30, no plenário 2 da ala Nilo Coelho, e deve contar com a participação do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, convidado para discutir os impactos das jornadas de trabalho na vida das mulheres.
De acordo com Luizianne Lins, o objetivo da audiência é analisar a escala 6×1 sob a perspectiva de gênero, destacando como a sobrecarga de trabalho remunerado e não remunerado afeta de forma desproporcional as mulheres.
Dados da Rede Brasileira de Economia Feminista (REBEF) apontam que mulheres com jornadas formais de 40 a 44 horas semanais dedicam, em média, mais de 16 horas por semana a tarefas domésticas e cuidados não remunerados. Na escala 6×1, com apenas um dia de descanso, esse cenário se intensifica.
Setores mais impactados
A parlamentar alerta que a situação é mais grave em áreas com predominância feminina, como comércio, limpeza, hotelaria e enfermagem. Nesses setores, a soma das atividades pode ultrapassar 67 horas semanais, especialmente entre mulheres negras.
Segundo ela, esse nível de sobrecarga gera exaustão física e mental, caracterizando uma forma de violência.
“A manutenção de jornadas exaustivas atua como um mecanismo de violência econômica, pois impede a progressão na carreira, o acesso à educação e a autonomia financeira plena”, afirma.
Luizianne também destaca que a falta de tempo livre compromete os vínculos sociais e familiares, além de dificultar o acesso a redes de apoio. “Isso torna as mulheres mais vulneráveis a ciclos de violência doméstica, uma vez que o esgotamento reduz a capacidade de reação e de enfrentamento”, acrescenta.
Debate no Senado
Para a deputada, discutir a escala 6×1 no âmbito da comissão é reconhecer que o tempo é um recurso político e que sua distribuição desigual reforça desigualdades estruturais. “Essa é uma forma de violência que precisa ser enfrentada por meio de políticas públicas e reformas legislativas”, defende.
A audiência será interativa, com participação da sociedade por meio do envio de perguntas.
