A sucessão no Tribunal de Contas da União (TCU) transformou-se em um dos principais pontos de tensão política na Câmara dos Deputados neste início de ano. A escolha do substituto do ministro Aroldo Cedraz, prevista para março, mobiliza lideranças partidárias e intensifica articulações entre o governo e blocos de centro-direita.
A votação será secreta e realizada em turno único, modelo que amplia as negociações de bastidores e adiciona imprevisibilidade ao desfecho da disputa.
Quatro deputados federais oficializaram candidatura à vaga:
- Odair Cunha (PT-MG), indicado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e apoiado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta;
- Hélio Lopes (PL-RJ), com respaldo da ala bolsonarista;
- Hugo Leal (PSD-RJ), articulado pelo Partido Social Democrático (PSD);
- Danilo Forte (União Brasil-CE), apontado por lideranças como um nome técnico com potencial de convergência entre centro e direita.
Crítica à candidatura ligada ao governo
A movimentação em torno de um candidato ligado ao PT tem gerado reações dentro da Câmara. Parlamentares de diferentes legendas avaliam que a escolha de um nome alinhado ao partido do governo pode impactar a percepção de autonomia do TCU, órgão responsável pelo controle externo e pela fiscalização da execução orçamentária da União.
Deputados de centro e direita argumentam que a ocupação de uma cadeira vitalícia na Corte por um perfil identificado com a base governista pode provocar desequilíbrios institucionais. Por isso, defendem a construção de uma alternativa que represente maior distanciamento partidário e equilíbrio entre os Poderes.
Danilo Forte amplia apoios
Nesse contexto, Danilo Forte passou a ser citado como um dos candidatos com maior capacidade de articulação. Reconhecido pela atuação em pautas relacionadas às emendas parlamentares, ao orçamento impositivo e à autonomia do Legislativo, o deputado cearense é mencionado por líderes de diferentes bancadas como detentor de perfil técnico compatível com as atribuições do TCU.
Aliados sustentam que sua experiência no debate orçamentário e na interlocução entre Parlamento e Executivo fortalece sua posição na disputa, especialmente diante da necessidade de unificação das forças independentes e de centro-direita.
