O governador Elmano de Freitas (PT) vai tentar a reeleição em 2026. Isso é o que falam todos os líderes políticos de partidos da base do chefe do Executivo. Com um extenso arco de alianças, com legendas que circulam desde a esquerda à direita, as definições e indefinições político-partidárias devem influenciar o cenário eleitoral tanto quanto as agendas governamentais e ações e políticas voltadas a áreas prioritárias, como segurança e saúde.
Pesquisa realizada pelo Instituto Opinião mostra que, com os apoios do presidente Lula (PT), do ministro da Educação, Camilo Santana (PT), e do senador Cid Gomes (PSB), Elmano possui 42% na intenção de votos.
Na avaliação do cientista político Emanuel Freitas, os líderes políticos conferem uma “sombra confortável” para que o governador vá à disputa. O especialista afirma que, considerando a história política do Ceará – em que apenas Lúcio Alcântara não conseguiu a reeleição para o Governo -, Elmano vai para o pleito como “competitivo”.
Emanuel prefere utilizar o termo “competitividade” a “favoritismo” ao comentar sobre de que forma o chefe do Executivo chega à corrida eleitoral.
Mesmo com a “sombra confortável” proporcionada pelos líderes políticos governistas, o cientista político alertou que a “grande dificuldade” de Elmano pode se dar pelo fato de ele “não ter se mostrado como governador Elmano, mas como uma continuidade do Camilo”.
“Como se não tivesse construído uma marca simbólica”, disse, ressaltando que um programa como o Ceará Sem Fome, por exemplo, não chegou tão forte no imaginário popular quanto o Bolsa Família em nível nacional ou mesmo que o Ronda do Quarteirão, no Ceará.
Por isso, na avaliação de Emanuel, as figuras políticas devem ser tão relevantes para a candidatura do petista. O especialista destaca, inclusive, que o Governo deve “jogar peso pesado” também em Fortaleza, com a ajuda do prefeito Evandro Leitão (PT), já que, em 2022, Elmano, mesmo sendo eleito em primeiro turno, perdeu para Capitão Wagner (União Brasil) na capital cearense.
Cid deve ser também uma “peça importante da eleição”. “Apesar de dizer que não tentaria reeleição [ao Senado], fez movimentação partidária forte tentando inflar os quadros”, afirmou o cientista político.
Já no final do ano, porém, aliados do PSB começam a defender que o ex-governador coloque o seu nome à disposição para uma disputa que promete ser a mais quente na base governista: o Senado.
Disputa pelo Senado
Para as duas vagas na chapa governista ao Senado, pelo menos sete nomes estão na disputa. Os deputados federais Júnior Mano (PSB), José Guimarães (PT), Eunício Oliveira (MDB) e Moses Rodrigues (União Brasil), o ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos), o secretário do Desenvolvimento Econômico, Domingos Filho (PSD), e o secretário-chefe da Casa Civil, Chagas Vieira surgem como possíveis candidatos, além de Cid, que poderia tentar a reeleição.
De acordo com Emanuel, a “grande expectativa” da eleição de 2026 para o Governo é saber “qual grupo político ou partidos que romperão com o governador”.
“Desse arco amplo, alguém vai ser preterido”, disse.
O cientista político destacou a recente aproximação do governador com o União Brasil, por meio de Moses e da também deputada federal Fernanda Pessoa, que deve vir a assumir o Diretório Estadual da legenda no Ceará em 2026. Moses deve assumir a federação União Progressista no Estado.
A definição de Cid, se será candidato ou se segue apoiando Júnior Mano para o posto, também deve influenciar. Caso ele escolha lançar o seu nome, a expectativa é de que ele tenha uma das vagas. Conforme Emanuel, porém, se o ex-governador tentar a reeleição, a disputa entre os outros partidos deve aumentar ainda mais, com apenas duas vagas a serem negociadas: vice e uma para o Senado.
Ele destacou que, em outros momentos, governadores como Cid, em 2010, e Camilo, em 2018, tomaram as rédeas da composição da chapa. Na avaliação dele, no entanto, os dois eram “mais fortes do que é Elmano hoje”.
“Elmano é menos fortalecido do que era Camilo e Cid, por isso o governador deu poucas declarações sobre eleição”, disse, alertando que qualquer comentário poderia afastar partidos.
Principais pautas durante a campanha
De acordo com o cientista político, a segurança deve ser a agenda mais disputada na eleição, tanto pela oposição como pelos governistas. Nas últimas ocasiões em que comentou sobre o tema, Elmano adotou “um tom mais próximo da direita”, na avaliação de Emanuel.
“Se enfrentar a polícia, será, efetivamente, a pena da vida”, disse o governador, em solenidade nesta terça-feira (30).
O chefe do Executivo frisou que, apesar de a determinação ser pela prisão, se necessário for, os policiais irão para “o enfrentamento que for necessário”.
A oposição também deve insistir na questão da segurança, de acordo com o especialista. Um dos temas que deve ser abordado é a expulsão de pessoas de suas casas pelas facções. Para “sair de armadilhas” postas pelos oposicionistas durante a campanha, o governador deve, segundo Emanuel, contrabalancear o tema da segurança com números de outras áreas, como saúde, educação e turismo.
“Ele vai entrar na seara da segurança pública para não perder a discursividade, mas tentando contrabalancear com números de outras áreas”, afirmou.
