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Startup da Uece transforma bagaço de cerveja em ração para rebanho leiteiro no Ceará

Biovalor apresentou tecnologia para reaproveitar resíduos de cervejarias durante reunião da SDE com startups; iniciativa busca aproximar soluções acadêmicas do mercado e fortalecer o agronegócio cearense
A Biovalor, startup incubada na Uece, transforma bagaço de malte de cervejarias em ração peletizada para o rebanho leiteiro. Foto: Reprodução/Faec

Uma startup incubada na Universidade Estadual do Ceará (Uece) desenvolve uma alternativa para alimentar o rebanho leiteiro durante os períodos de estiagem: transformar o bagaço de malte descartado por cervejarias em ração peletizada nutritiva. A solução da Biovalor foi apresentada em uma reunião promovida pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), na última sexta-feira (16), para conectar negócios de base tecnológica ao poder público e às cadeias produtivas do Estado.

O encontro reuniu representantes da SDE, da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), técnicos e integrantes do ecossistema de inovação e pesquisa. A proposta é aproximar startups nascidas em universidades cearenses de potenciais parceiros e oportunidades de mercado, com foco em sustentabilidade, agronegócio e economia circular.

O secretário executivo do Agronegócio da SDE, Silvio Carlos, destacou a importância de transformar pesquisas acadêmicas em oportunidades econômicas para o Estado.

“O nosso compromisso no Governo do Ceará é transformar a inovação gerada nas nossas universidades em riqueza e oportunidade para o produtor cearense. A SDE atua para aproximar essas startups da realidade do mercado, identificando gargalos e criando caminhos para que soluções tecnológicas sustentáveis ganhem escala, fortaleçam a agricultura familiar e modernizem as cadeias do agronegócio no Ceará.”

Representantes da SDE e da Adece se reuniram com startups para discutir parcerias e oportunidades para negócios de base tecnológica no Ceará. Foto: Divulgação/SDE

Biovalor aposta em ração feita com resíduos de cervejarias

Incubada na Uece, a Biovalor reaproveita o bagaço de malte gerado pela indústria cervejeira para produzir ração peletizada destinada ao rebanho leiteiro. A proposta busca oferecer uma alternativa alimentar para a pecuária, especialmente nos períodos de estiagem, quando a disponibilidade de alimentos para os animais pode ser afetada. Ênio Girão, sócio da startup, destacou o potencial da tecnologia para atender à pecuária leiteira cearense e a importância do diálogo com o poder público.

“Nós nascemos para resolver problemas sérios da pecuária de leite, transformando o bagaço de malte em ração nutritiva para atender as mais de 73 mil vacarias do Estado. O momentona SDE foi excepcional, pois tivemos a oportunidade de conversar com os técnicos e compreender conjuntamente os limites e desafios, propondo soluções de forma integrada”, afirmou.

Startup reaproveita madeira do Complexo do Pecém

Outra iniciativa apresentada foi a Eco Pallets Pecém, que trabalha com logística reversa e reaproveitamento de madeira utilizada no transporte de chapas de aço do Complexo do Pecém. O material é beneficiado para a fabricação de paletes recicláveis, com o objetivo de ampliar o reaproveitamento dos resíduos. “Nosso projeto faz o beneficiamento de madeira na região do Pecém, reaproveitando o material que retorna para fabricar paletes recicláveis e dar circularidade ao produto. A reunião foi excelente porque apresentamos subprodutos como o pó e resíduos de madeira, e a SDE poderá nos ajudar a fazer conexões estratégicas para dar uma destinação ainda mais nobre a esses materiais”, pontuou Hamilton e Silva Júnior, sócio-diretor da empresa.

A Eco Pallets Pecém reaproveita madeira utilizada no transporte de chapas de aço para fabricar paletes recicláveis. Foto: Ascom Cipp

Governo busca aproximar startups do mercado

Durante a reunião, três empreendimentos apresentaram soluções e demandas. Entre as propostas discutidas também esteve uma plataforma digital para conectar pequenos produtores da agricultura familiar a supermercados, restaurantes e outros compradores, enfrentando dificuldades logísticas e de comercialização de alimentos saudáveis. O gerente de fomento da Adece, Eduardo Moreira, afirmou que o encontro buscou identificar oportunidades de parceria e subsidiar a formulação de políticas públicas de apoio aos negócios inovadores.

“Foi um encontro de conexão. Trouxemos startups que desenvolvem soluções com viabilidade de gerar negócios e parcerias nas áreas ambiental e social. A ideia foi permitir que apresentassem suas demandas para a SDE, Adece e Adagri, identificando oportunidades para pensar uma política pública mais ampla. Tratamos de empresas de paletes sustentáveis, da conexão da agricultura familiar com o mercado e de ração animal peletizada a partir de resíduos industriais. Saímos daqui com encaminhamentos concretos de conexões com o setor produtivo, outros secretários e a perspectiva de idealizar programas de subvenção e apoio econômico”, comentou.

Ao final do encontro, a equipe técnica da SDE alinhou agendas de trabalho para aproximar as startups de potenciais parceiros da iniciativa privada e de outras instâncias do Governo do Ceará.