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Na ONU, Lula critica poder das big techs e cobra responsabilidade no uso da IA

Presidente afirmou que avanço da tecnologia exige regras e criticou concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia durante discurso na Assembleia Geral
Presidente Lula discursou na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (22). Foto: Reprodução/Redes Sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta terça-feira (22), o poder das grandes empresas de tecnologia e defendeu maior responsabilidade no desenvolvimento e no uso da inteligência artificial. A declaração ocorreu durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

Ao abordar os desafios tecnológicos, Lula afirmou que a inteligência artificial não pode avançar sem mecanismos de responsabilidade e governança. O presidente também chamou atenção para a concentração de poder nas chamadas big techs e para os impactos que as novas tecnologias podem produzir sobre sociedades e democracias.

A discussão sobre IA integrou o discurso de Lula ao lado de temas como desinformação, mudanças climáticas, saúde e conflitos internacionais.

Lula alerta para concentração de poder das big techs

Durante sua fala, o presidente relacionou o avanço tecnológico à necessidade de estabelecer regras capazes de proteger direitos e evitar que decisões de grande impacto fiquem concentradas em poucas empresas. Lula defendeu que o desenvolvimento da inteligência artificial seja acompanhado por mecanismos de governança, transparência e responsabilização, diante da velocidade com que a tecnologia vem sendo incorporada a diferentes áreas da sociedade.

A preocupação também envolve o impacto da tecnologia sobre a circulação de informações e o debate público. Para o presidente, o avanço das plataformas digitais e da inteligência artificial amplia a necessidade de enfrentar a desinformação.

Inteligência artificial entre os desafios globais

A inteligência artificial também foi um dos temas destacados pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, durante a abertura da Assembleia Geral. Guterres afirmou que a tecnologia pode estar avançando mais rapidamente do que a capacidade da humanidade de compreender seus efeitos. “Mesmo aqueles que criaram a inteligência artificial dizem que estão ficando cegos diante dela”, disse.

“O perigo não é a tecnologia. O perigo é a tecnologia sem responsabilidade”, completou o secretário-geral, que defendeu o fortalecimento do diálogo, da transparência, da confiança e da cooperação entre os governos.

O tema ganhou espaço na agenda internacional justamente pela expansão acelerada das ferramentas de inteligência artificial e pelos debates sobre seus impactos econômicos, sociais e políticos.

Desinformação também entra no discurso de Lula

Lula também citou a atuação das redes de desinformação durante campanhas eleitorais e afirmou que o Estado brasileiro estará atento a possíveis tentativas de interferência. “Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem contaminar o debate público durante a campanha”, afirmou. Na sequência, o presidente declarou confiança nas instituições e no sistema eleitoral brasileiro.

“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, atentem contra a vontade popular. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho”, declarou.

Lula também criticou a disseminação de informações falsas relacionadas à ciência, à saúde e ao meio ambiente e defendeu o combate ao negacionismo.

Mudanças climáticas e saúde

Durante o discurso, Lula mencionou ainda a pandemia de Covid-19 e criticou campanhas contra vacinas.

“Nunca esqueceremos das milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento à covid-19. Campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças que julgávamos estar erradicadas. Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde (OMS) torna todos mais vulneráveis.”

O presidente também cobrou maior atenção internacional às mudanças climáticas e criticou a redução do espaço dedicado ao tema em fóruns como o G7 e o G20.