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Jeitos únicos de entender o mundo e aprender: conheça a neurodivergência

Cada cérebro é único e entender a neurodivergência é um passo importante para mais inclusão e respeito
Foto: reprodução

O cérebro é um dos órgãos mais incríveis do corpo humano. É ele quem comanda tudo o que fazemos e nos ajuda a entender o mundo ao nosso redor. É como se fosse um supercomputador, só que ainda mais poderoso!

Apesar de todos os cérebros terem uma estrutura parecida, eles não funcionam exatamente da mesma forma, e tudo bem. É justamente por causa dessas diferenças que existe um conceito muito importante: a neurodivergência, um termo cada vez mais presente em conversas sobre saúde, educação e inclusão.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 15% e 20% da população brasileira apresenta algum tipo de neurodivergência. Isso significa que, no Brasil, cerca de 32 a 43 milhões de pessoas têm um jeito único de pensar, aprender e perceber o mundo.

Mas afinal, o que é neurodivergência?

Para entender melhor esse assunto, o Opinião Criança conversou com a neurologista infantil Joana Torres. A médica explica que a neurodivergência acontece quando o cérebro funciona de maneira diferente da maioria das pessoas. Não é uma doença, mas uma variação natural da mente humana.

Mesmo sendo algo natural, algumas dessas condições podem trazer desafios no dia a dia, como dificuldades na escola ou nas relações com outras pessoas. Por isso, o acompanhamento profissional e o apoio são muito importantes.

Tipos de neurodivergência

Existem vários tipos de neurodivergência. Alguns dos mais conhecidos são:

Autismo (TEA): pode afetar a comunicação, o comportamento e a forma de interagir com o mundo
TDAH: dificuldade de manter a atenção, controlar impulsos ou ficar parado por muito tempo
Dislexia: dificuldade na leitura e escrita
Discalculia: dificuldade com números e contas
Disgrafia: dificuldade na escrita
Dispraxia: dificuldade na coordenação motora
Síndrome de Tourette: produção de movimentos ou sons involuntários

Cada condição tem sua característica específica, mas a neurologista Joana Torres explica que cada pessoa neurodivergente é única. Mesmo quando duas pessoas têm o mesmo diagnóstico, elas podem ser bem diferentes entre si. Além disso, uma única pessoa pode apresentar mais de uma neurodivergência ao mesmo tempo, por exemplo, alguém com autismo também pode ter TDAH.

Desafios no dia a dia

Pessoas neurodivergentes podem enfrentar dificuldades em habilidades como atenção, memória, linguagem, planejamento, controle de impulsos e coordenação motora. Algumas também podem ser mais sensíveis a luzes, sons, texturas ou até ao sabor dos alimentos.

Segundo a especialista, algumas pessoas também podem apresentar hiperfoco em assuntos de interesse e uma maior criatividade. Porém, apesar desse sintoma ser visto como qualidades, elas não devem ser romantizadas e nem generalizadas.

“Enquanto algumas pessoas precisam de pouco suporte, outras são gravemente afetadas pelos seus transtornos e podem necessitar de cuidados e suporte médico 24 horas por dia”, ressalta.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico geralmente começa quando pais ou professores percebem alguns sinais, como:

  • Dificuldade para aprender
  • Problemas de atenção
  • Desafios na interação com colegas ou no comportamento

Depois disso, é importante procurar um especialista, como um neuropediatra ou psiquiatra infantil, para avaliar a criança ou o adulto.

Com o diagnóstico, iniciar o tratamento faz toda a diferença na qualidade de vida. Terapias, acompanhamento psicológico e adaptações no ambiente ajudam muito no desenvolvimento. “O foco do tratamento deve ser a promoção do bem-estar, da autonomia e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento saudáveis, respeitando os limites neurológicos do indivíduo”, explica a especialista.

Como apoiar uma pessoa neurodivergente?

O apoio da família, da escola, dos amigos e de toda a sociedade é essencial, mas pequenas atitudes também podem fazer uma grande diferença no dia a dia:

  • Reduzir barulho e luz forte, se isso incomodar
  • Usar imagens e tecnologias para facilitar o aprendizado
  • Respeitar o tempo de cada pessoa
  • Acolher as emoções
  • Durante uma crise, manter a calma e oferecer um ambiente tranquilo
  • Incentivar a autoestima e a aceitação
  • Ser claro ao falar, evitando ironias ou frases confusas
  • Não forçar abraços ou interações sociais

Mais do que tudo, é importante agir com empatia e respeito, afinal todas as pessoas têm direitos iguais, potencial e capacidade de aprender e crescer. Além disso, falar sobre neurodivergência também ajuda a combater o preconceito e a construir um mundo mais justo, onde todos tenham a oportunidade de serem felizes. Ser diferente é o que torna cada pessoa única!