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Brasil amplia ajuda e intensifica buscas por sobreviventes na Venezuela

Equipes brasileiras reforçam missão humanitária, resgatam vítimas e ampliam estrutura de atendimento após terremotos no país
No panorama geral da operação, 22 vítimas foram resgatadas, sendo 10 com vida e 12 mortas. Foto: Secom PR

Como parte do esforço de mais de 50 equipes internacionais sob a coordenação do Grupo Assessor Internacional de Busca e Salvamento da ONU (Insarag), a equipe brasileira, designada como BRA-10, tem desempenhado papel decisivo nas operações de Busca e Salvamento Urbano na Venezuela.

Ao longo de 72 horas ininterruptas, o grupo atuou em três frentes distintas, em total sinergia com as demais delegações, diante de um cenário de extrema complexidade, riscos de instabilidade e réplicas constantes.

No panorama geral da operação internacional, que já soma 22 vítimas resgatadas, sendo 10 com vida e 12 mortas, a BRA-10 foi responsável por localizar e retirar três corpos sob os escombros.

Além disso, técnicos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e bombeiros militares brasileiros apoiaram o salvamento de outras três pessoas com vida em ações conjuntas. As equipes seguem em buscas contínuas por possíveis sobreviventes.

CORRIDA CONTRA O TEMPO

Na segunda-feira (29), o principal objetivo da equipe concentrou-se no resgate de uma garota presa sob estruturas colapsadas. O pedido de socorro ocorreu após a vítima conseguir contato com a mãe pelo celular.

Segundo o coordenador da missão humanitária e diretor do Departamento de Preparação e Socorro (DPS) da Sedec, Armin Braun, os chamados de emergência são frequentes.

“Como as pessoas sabem que estamos instalados em uma base aqui, os pedidos de socorro surgem a todo momento. Nesta segunda, recebemos a informação de que uma garota está presa nos escombros e, mesmo assim, está em contato com a mãe pelo celular. Nossa equipe está trabalhando sem parar para tentar retirar essa vítima com vida”, detalhou o diretor.

Foto: Secom PR

Também fazem parte das ações brasileiras o envio de medicamentos, equipamentos e profissionais especializados para ampliar o atendimento às vítimas do desastre. A missão integra o conjunto de medidas adotadas pelo Governo do Brasil para fortalecer a resposta humanitária no país vizinho.

VISITA OFICIAL

A chegada do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, está prevista para esta terça-feira (30), a Caracas, onde participará de reunião com autoridades venezuelanas.

A determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) é ampliar o apoio brasileiro às ações de assistência diante da situação de emergência provocada pelos terremotos da última semana.

Nesta terça-feira, José Múcio Monteiro se reúne com Gustavo González López, ministro da Defesa da Venezuela. Também acompanham a missão Inês da Silva Magalhães, vice-presidenta de Habitação da Caixa Econômica Federal, e Augusto Henrique Alves Rabelo, secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades.

Os trabalhos dos últimos dias refletem a intensidade das operações. No sábado (27), militares brasileiros participaram do salvamento de duas pessoas em apoio a equipes internacionais.

Segundo Armin Braun, a missão também atuou no resgate de uma vítima presa no nono andar de um edifício, embora outra operação tenha terminado com a morte da pessoa encontrada.

“No primeiro dia da nossa missão, também fomos chamados para ajudar no resgate de uma pessoa presa no nono andar de um prédio. É claro que nem sempre os desfechos são como gostaríamos. Infelizmente, em outra ação, depois de horas de resgate, a vítima acabou não resistindo. Agora, é uma corrida contra o tempo. Cada minuto faz diferença na tentativa de encontrar pessoas com vida“, disse Armin Braun.

RESPOSTA HUMANITÁRIA

A Sedec integra o grupo de trabalho coordenado pela Casa Civil da Presidência da República e atua como órgão responsável pela coordenação estratégica, administrativa e logística da missão.

A atuação ocorre em articulação com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Ministério da Defesa, Força Aérea Brasileira (FAB), Marinha do Brasil, Ministério da Saúde, Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e Corpos de Bombeiros Militares estaduais.

Além disso, o Brasil enviará um quinto voo humanitário nesta terça-feira (30). A aeronave partirá da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, levando equipamentos para ampliar o hospital de campanha instalado em La Guaira.

A estrutura passará a contar com 20 leitos de internação, módulo infantil e espaço preparado para pandemias. Também embarcarão 45 militares da Marinha que atuarão na unidade.

Antes de seguir para Caracas, a aeronave fará escala na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, para embarcar cerca de 5,5 toneladas de medicamentos e testes rápidos doados pelo Ministério da Saúde, além de dois técnicos da Anatel equipados com analisadores de espectro e antenas direcionais capazes de localizar sinais de celulares sob os escombros.

APOIO BRASILEIRO

Desde o início da operação, o governo brasileiro mobiliza aeronaves da FAB para transportar equipes e ajuda humanitária à Venezuela. O primeiro voo decolou em 26 de junho com 44 profissionais especializados em busca e resgate.

Nos dias seguintes, novas aeronaves transportaram o hospital de campanha, equipes médicas, kits de atendimento, purificadores de água e mais bombeiros militares dos estados de São Paulo e Minas Gerais para reforçar os trabalhos em La Guaira.

Com o quinto voo humanitário, a operação brasileira passará a contar com quatro especialistas da Defesa Civil, 71 bombeiros militares, seis técnicos da Anatel, 100 purificadores de água.

Hospital de campanha montada na Venezuela pelo Governo do Brasil. Foto: Secom PR

Também foram enviadas 6,5 toneladas de medicamentos e insumos de saúde, um hospital de campanha com capacidade para cirurgias, atendimento emergencial, 20 leitos, módulo infantil e estrutura para pandemias.

Noventa e três militares da Marinha do Brasil são responsáveis pelo funcionamento da unidade.

DESTRUIÇÃO

Na noite de 24 de junho, a Venezuela foi atingida por dois terremotos de magnitudes estimadas em 7,2 e 7,5, com epicentros na região de Morón, no estado de Carabobo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas.

Os abalos provocaram destruição em áreas urbanas, principalmente nos estados de La Guaira, Carabobo, Aragua e na Região Metropolitana de Caracas.

Segundo o balanço oficial atualizado na segunda-feira (29), o número de mortes chegou a 1.719, enquanto os feridos já passam de 5.034.

A quantidade de desaparecidos permanece incerta, e estimativas de agências internacionais e da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que entre 46 mil e 50 mil pessoas foram afetadas pelo desastre.