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ONU pede libertação imediata de brasileiro detido por Israel após missão humanitária

Thiago Ávila foi capturado em águas internacionais durante viagem com ajuda destinada à Faixa de Gaza
Thiago Ávila foi detido em águas internacionais, sem acusação formal, e, em seguida, levado a território israelense. Foto: Paulo Pinto/ Agência Brasil

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu a libertação imediata e incondicional do brasileiro Thiago Ávila, detido por Israel após participação em missão humanitária com destino à Faixa de Gaza. O caso ganhou destaque nesta quarta-feira (6) pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O órgão também solicitou a soltura do ativista Saif Abukeshek, de nacionalidade espanhola e sueca. Ambos permanecem sob custódia israelense sem acusação formal, conforme informações divulgadas pelo organismo internacional.

Thiago Ávila e Saif Abukeshek integram a Flotilha Global Sumud, grupo internacional voltado ao envio de ajuda humanitária à população palestina. A captura ocorreu em águas internacionais, seguida da transferência dos ativistas para território israelense.

CRÍTICAS

O porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, criticou a ação e reforçou que a atividade exercida pelos ativistas não configura crime. “Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina em Gaza, que está em grande necessidade”, afirmou.

A manifestação oficial ressalta a necessidade de respeito ao Direito Internacional durante operações desse tipo. A posição reforça a defesa da liberdade de atuação humanitária em contextos de crise.

Preocupação adicional envolve denúncias relacionadas ao tratamento dispensado durante a detenção. Informações divulgadas pelo organismo mencionam relatos perturbadores de maus-tratos severos, que exigem investigação rigorosa.

MAUS-TRATOS

A ONU cobrou apuração detalhada das denúncias e responsabilização de eventuais envolvidos em abusos. O posicionamento destaca a importância de garantir padrões internacionais de proteção a pessoas detidas.

Outro ponto enfatizado pelo escritório refere-se ao uso de detenções consideradas arbitrárias por parte de Israel. A crítica inclui a aplicação de leis antiterrorismo classificadas como vagamente definidas e incompatíveis com normas internacionais.

A entidade reiterou a necessidade de revisão dessas práticas, indicando riscos à garantia de direitos fundamentais. O debate reforça a relação entre segurança e direitos humanos em cenários de conflito.

BLOQUEIO

Além da libertação dos ativistas, a ONU voltou a defender o fim do bloqueio à Faixa de Gaza. O objetivo é permitir a entrada de ajuda humanitária em escala suficiente para atender à população local.

A avaliação do organismo aponta que a região enfrenta uma crise prolongada e necessita de assistência contínua. A medida busca ampliar o acesso a alimentos, medicamentos e outros itens essenciais.