Menu

Casa da Diversidade realizou mais de 2 mil atendimentos em 13 meses

Diante da vulnerabilidade da população LGBTQIAP+, espaço foi criado para oferecer serviços, além de fomentar debates, visibilidade e...

Diante da vulnerabilidade da população LGBTQIAP+, espaço foi criado para oferecer serviços, além de fomentar debates, visibilidade e inclusão

ANTONIO RODRIGUES
CORRESPONDENTE NO INTERIOR DO ESTADO
[email protected]

Espaço foi inaugurado em abril de 2021 (Foto: Divulgação)

Com pouco mais de um ano de atuação, a Casa da Diversidade Cristiane Lima, em Juazeiro do Norte, se tornou referência no acolhimento da população LGBTQIAP+. Em trabalho pioneiro no interior do Estado, o equipamento criado a partir da parceria de entidades sociais contabiliza mais de 2 mil atendimentos a este público.

Consulta médicas, serviços de enfermagem, acompanhamento psicológico, social e jurídico, massoterapia, entrega de kits de higiene e cestas básicas, inserção em cursos. Estas são algumas das ações oferecidas pelo projeto, que teve início através da Associação Beneficente Madre Maria Villac (Abemavi) e da Associação Caririense de Luta contra Aids, instituições que já desenvolviam trabalho com a população LGBTQIAP+.

“É um marco histórico dentro do terceiro setor”, define a assistente social Brendha Vlasack. Como mulher trans, Brendha conhece bem as dificuldades que as pessoas LGBTQIAP+ da região do Cariri tem de encontrar um espaço de acolhimento e convivência.

“Elas mereciam um lugar específico para atendê-las, já que essa população é um tanto marginalizada e excluída do cenário de políticas públicas”, avalia. Aberta no final de abril do ano passado, a Casa da Diversidade funciona de segunda à sexta-feira, das 14h30 às 19 horas, em horário diferenciado para ser mais acessível a quem trabalha durante o dia.

Com apoio de uma grande maioria de voluntários, o equipamento é mantido com aproximadamente 18 pessoas. De acordo com Ronildo Oliveira, que é voluntário da Abemavi e faz parte do Conselho Municipal dos Direitos LGBT de Juazeiro do Norte, além dos serviços, o espaço é aberto para debates com grupos que variam de 10 a 15 pessoas. Entre as pautas, estão desde o empoderamento à saúde e bem-estar destas pessoas.

Atualmente, a principal procura, segundo Oliveira, é pelo atendimento psicológico. Duas psicólogas atendem, uma vez por semana, de forma voluntária, entre 12 e 15 pessoas por dia. “Se antes da pandemia as pessoas LGBT sofriam, a pandemia piorou muito. Condições de trabalho, sobrevivência. Por isso, há uma demanda muito grande”, detalha.

Nestes 13 meses de trabalho, por meio de parceria, foi possível conseguir dez bolsas integrais de Ensino Superior para população trans e não-binárias em cursos como Enfermagem e Educação em uma instituição privada. “Temos parceria com Centro de Educação para Jovens e Adultos”, detalha Oliveira.

Também há cursos como operador de caixa e de inglês. Mensalmente, também acontece a entrega de 40 cestas básicas e kits de higiene. “Este trabalho é fundamental porque o tamanho da vulnerabilidade social da população LGBT no Cariri e, principalmente em Juazeiro do Norte, é muito grande.”

A inauguração do novo espaço, no bairro São Miguel, acontece no próximo dia 28. Por enquanto, os atendimentos seguem no atual endereço, no mesmo bairro. O espaço foi batizado com o nome de Cristiane Lima, ativista pelos direitos da população LGTQIAP+ e das pessoas que vivem com HIV/Aids de Juazeiro do Norte.

Nascida em abril de 1962, Cristiane desde cedo assumiu sua orientação sexual e identidade de gênero. No Cariri, ficou conhecida como uma grande carnavalesca. Cristiane faleceu em julho de 2020, vítima da covid-19.

Deixe um comentário