A Prefeitura de Fortaleza, sob coordenação do Instituto de Pesquisa e Planejamento (Ipplan), anunciou, na tarde desta sexta-feira (4), um pacote de ações para enfrentar os efeitos climáticos do El Niño.
A previsão indica que o período mais crítico do fenômeno ocorrerá entre novembro deste ano e janeiro de 2027, com atenção especial aos impactos provocados pelo aumento das temperaturas.
A condução dos trabalhos também envolve a Defesa Civil de Fortaleza (DCF) e a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), com apoio do Ministério da Saúde (MS).
“A partir daí, foi estabelecido um processo de integração das entidades municipais. Criamos um grupo de trabalho com 32 entidades municipais, que se reuniram e elaboraram essa série de ações que constam no plano de adaptação às mudanças climáticas, e estamos dentro dessa perspectiva de prevenção”, disse o presidente do Ipplan, Artur Bruno.
PREVISÃO CLIMÁTICA
O diretor técnico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Francisco Júnior, alertou para os efeitos do El Niño. Segundo ele, outubro será um mês bastante crítico, com elevação da temperatura e da sensação térmica.
Entre as primeiras medidas está a criação do Comitê de Ações de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, conforme informações do diretor da Defesa Civil de Fortaleza, tenente-coronel Haroldo Gondim.

Segundo o diretor da Defesa Civil, o prefeito Evandro Leitão (PT) preside o comitê, formado por integrantes de secretarias municipais e estaduais, órgãos do Governo Federal, além das universidades Estadual do Ceará (Uece), Federal do Ceará (UFC) e de Fortaleza (Unifor).
“Está sendo criado o Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil, em alinhamento com os sistemas Estadual e Nacional. Em cenários de desastre, como vamos captar recursos? Então, vamos criar o Fundo Municipal de Proteção e Defesa Civil, para ações de prevenção e mitigação, preparação, resposta e recuperação”, acrescenta Haroldo Gondim.
ATENÇÃO À SAÚDE
Para a secretária da Saúde, Riane Azevedo, uma sala está sendo montada na SMS, onde profissionais passam por treinamento, principalmente para orientar a população sobre os riscos de insolação, com destaque para o atendimento aos visitantes.
“Que a gente possa traçar uma política de comunicação para esses turistas que também visitam as nossas cidades, pois muitas vezes essa sensação térmica é diferente pra eles, por estarem sob sol intenso e o vento, muitas vezes, alivia aquela sensação [térmica] que eles têm. E eles saem daqui com insolação; temos casos dessa natureza que a gente acompanha no dia a dia”, frisou a secretária.
A atenção aos bairros de maior densidade também foi destacada por Riane Azevedo, que apontou a necessidade de considerar as questões relacionadas às arboviroses nessas áreas.
“A gente já coloca nossa equipe [agentes de endemias] nesses bairros para poder ver a pulverização, analisar e ver a questão da dengue, zika e chikungunya. que é o que já estamos fazendo”, disse Riane Azevedo.
FORÇA NACIONAL
A Força Nacional do SUS iniciou o processo de instalação de uma base na capital cearense.
“O processo de descentralização da Força Nacional do SUS ocorre justamente para que tenha a capacidade de responder mais rápido a eventos climáticos extremos. [A força] vai ficar baseada em Fortaleza, mas pode socorrer estados vizinhos e que tenham demandas necessárias”, disse Edenilo Baltazar, diretor do Departamento de Emergência e Saúde do MS.
Além das 10 estações meteorológicas já instaladas, Fortaleza terá outras 11, que entrarão em funcionamento até o final de outubro.
Os equipamentos passarão informações atualizadas sobre temperatura e sensação térmica, permitindo uma resposta imediata dos órgãos envolvidos.
Com 21 estações meteorológicas em funcionamento, a Capital terá cerca de 70% do território coberto pelo monitoramento da gestão municipal.
“Com os [equipamentos] da Funceme, Fortaleza terá 100% do território monitorado”, disse Artur Bruno.
O presidente do Ipplan ressaltou que as estações meteorológicas da Prefeitura de Fortaleza têm como finalidade monitorar as ondas de calor.
A população também poderá ter acesso às informações em tempo real e acionar os órgãos envolvidos no enfrentamento aos efeitos do El Niño.
