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Doação de órgãos transforma dor em esperança e ajuda a salvar vidas

Setembro Verde mobiliza o IJF, que já soma 118 doadores em 2026 e registra 82% de autorização familiar para transplantes
A atuação da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) começa com a identificação de um potencial doador e inclui avaliação clínica, confirmação da morte encefálica, acolhimento familiar e entrevista. Foto: Ascom IJF

Em meio à dor de perder alguém que se ama, uma decisão pode dar novo significado à despedida e permitir que outras histórias continuem.

Essa é a mensagem do Instituto Doutor José Frota (IJF), durante a campanha Setembro Verde, mês de conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos.

O tema “Quem doa órgãos, doa esperança e recomeços” busca sensibilizar a população para um gesto capaz de beneficiar milhares de pessoas que aguardam por um transplante.

A programação também prevê a iluminação da estrutura do hospital e ações internas ao longo do mês.

O IJF, referência nacional na captação de órgãos, encerrou 2025 com 152 doadores de órgãos e tecidos. Entre janeiro e julho de 2026, o hospital já contabiliza 118 doadores, sendo 47 de múltiplos órgãos e 69 de córneas.

Somente em julho, o hospital registrou 32 doadores, maior número mensal do ano até então. Desse total, 13 foram de múltiplos órgãos e 19 de córneas.

Em 2026, a unidade também alcançou 82% de autorização familiar para a doação, índice superior à média nacional, de aproximadamente 55%.

CAPTAÇÃO DE ÓRGÃOS

Entre os principais órgãos e tecidos captados no IJF estão fígado, rins e córneas, além de pulmão, coração e pâncreas. O trabalho realizado no hospital contribui diretamente para a rede de transplantes do Ceará e integra o Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Atualmente, o IJF responde por cerca de 30% das doações de órgãos disponibilizadas para transplantes e é o maior captador do Estado. O resultado reforça a participação da unidade na rede estadual de transplantes.

Para Andressa Vasconcelos, madrinha e prima de uma adolescente de 13 anos que morreu após um acidente de moto, a autorização para a doação esteve entre as decisões mais difíceis enfrentadas pela família.

Mesmo diante da perda, a possibilidade de ajudar outras pessoas trouxe uma forma de ressignificar a despedida.

“Fazer uma doação de órgãos não é algo que é fácil. É difícil porque, neste momento, estamos enfrentando a maior dor de nossas vidas. Mas, mesmo na dor, eu sei que a vida da minha menina não foi em vão. Ela sempre foi tão prestativa e, em seus últimos momentos, ela doou vida para outras pessoas. A doação significa esperança, vida, uma nova chance”, relata.

DOAÇÃO SEGURA

Nos casos de doador falecido, a doação de órgãos ocorre somente após a confirmação da morte encefálica, conforme protocolos e critérios estabelecidos pela resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM).

A equipe hospitalar acompanha todas as etapas e oferece acolhimento aos familiares, esclarecendo dúvidas para que a decisão seja consciente, segura e humanizada.

No Brasil, a autorização da família é indispensável. Por isso, a conversa em vida com os familiares e a manifestação do desejo de ser doador são fundamentais.

No IJF, a atuação da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) começa com a identificação de um potencial doador e inclui avaliação clínica, confirmação da morte encefálica, acolhimento familiar e entrevista.

Após a autorização, os procedimentos necessários para a captação são realizados, e órgãos e tecidos seguem pela rede do Sistema Estadual de Transplantes para pacientes compatíveis que aguardam na fila.

“Nosso trabalho é estar ao lado da família em um momento de extrema fragilidade, oferecendo informação, segurança e acolhimento. A decisão pela doação precisa ser livre e consciente, e nosso papel é garantir que os familiares tenham todo o suporte necessário. Cada autorização representa uma possibilidade de transformar uma história de perda em novas oportunidades de vida”, destaca Aline Alves, coordenadora da e-DOT do IJF.

A gestora acrescenta que a equipe do e-DOT é formada por mais de 20 profissionais, entre médicos, enfermeiros e técnicos, que atuam em regime de plantão 24 horas, sete dias por semana, em todas as etapas do processo de doação e transplante.

FAMÍLIAS DOADORAS

Como parte da programação do Setembro Verde, o IJF realizará, no final de setembro, o 14º Encontro das Famílias Doadoras de Órgãos.

A iniciativa reúne familiares que autorizaram doações, pessoas transplantadas, profissionais de saúde e demais integrantes da rede de transplantes.

O encontro será um momento de acolhimento, homenagem, troca de experiências e reconhecimento às famílias que, mesmo diante da dor da perda, disseram “sim” à doação e ajudaram a transformar vidas.