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“O cemitério carrega a memória da nossa cidade”: a importância histórica do São João Batista em Fortaleza

Em celebração aos 300 anos de Fortaleza, o cemitério São João Batista é lembrado não apenas como um espaço de sepultamento, mas como um patrimônio histórico e cultural que reflete a trajetória da cidade
Foto: Divulgação | Prefeitura de Fortaleza

Em celebração aos 300 anos de Fortaleza, o cemitério São João Batista é lembrado não apenas como um espaço de sepultamento, mas como um patrimônio histórico e cultural que reflete a trajetória da cidade. Segundo Sandoval Matoso, professor de História e idealizador do Projeto Fortaleza Necrópole, o local guarda memórias individuais e coletivas, conectando gerações e evidenciando transformações sociais, urbanísticas e culturais da capital cearense.

“A necessidade da construção de cemitério vai acompanhar uma demanda do Império. Justamente pautado no cientificismo, no positivismo, acreditava-se que os corpos enterrados, principalmente nas igrejas e nas residências das pessoas que tinham certas condições, geravam muita doença. Então, cria-se a ideia de um espaço realmente oficial para que haja o sepultamento, o que vai marcar essa nova fase do Brasil, essa nova fase do mundo na segunda metade do século XIX”, explica Matoso em entrevista ao Opinião CE.

Antes do São João Batista, a cidade contava com o cemitério São Casimiro, ou Croatac, localizado no Morro Croatac, limite da Fortaleza da época. Segundo o professor, a ordem da corrente marítima e dos ventos fazia com que o local fosse isolado, o cemitério para ninguém mais poder passar e para que os odores fossem levados para outro lado.

O São João Batista acompanha o crescimento da cidade e simboliza uma nova fase da capital cearense: “O São João Batista marca essa Fortaleza que cresce, a Fortaleza da Beleza que chegará do algodão, a Fortaleza que está agora conectada com o interior pelos trilhos e também com o mundo pelos portos, essa nova Fortaleza”, comenta Matoso.

O cemitério abriga nomes que marcam a história local e nacional. Desde sua inauguração, o cemitério carrega essa importância. É o cemitério mais antigo em atividade e nele está presente o dilema e o conflito da cidade dos vivos e dos mortos. No primeiro plano, estão os grandes nomes que aparecem nos livros de história: Barão de Studart, Barão do Crato, Barão de Aratanha, Caio Prado Júnior e tantos outros que marcam a história da cidade.

Além dos grandes nomes, o cemitério é rico em lendas urbanas e narrativas populares. “Um lugar de memória que cada um de nós carrega, aquela marca da família, da saudade, algo particular, mas também uma memória coletiva que marca nosso povo, conta nossa história e se conecta com a cidade, com Fortaleza, nossa terra e nossa gente”, detalha o professor.

Para Matoso, a história do cemitério reflete a história de Fortaleza: “A história do cemitério se conecta com a história de Fortaleza justamente por carregar os nomes, os filhos, a gente da cidade, por mostrar como aquela geração que inaugurou o cemitério enxergava a vida e a morte. Todos se conectam com nossa história”, finalizou.

O cemitério São João Batista, portanto, não é apenas um espaço de sepultamento, mas um registro vivo da história de Fortaleza, refletindo mudanças urbanas, sociais e culturais, preservando memórias e oferecendo à cidade um patrimônio que conecta passado, presente e futuro.