A Frente Parlamentar Católica manifestou repúdio às declarações do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), sobre aspectos relacionados à vida, à disciplina e à constituição sacramental da Igreja Católica.
Durante um encontro realizado na quarta-feira (16), Lula fez considerações sobre o celibato sacerdotal e a ordenação de mulheres ao presbiterado e ao episcopado.
As questões foram relacionadas às dificuldades enfrentadas pela Igreja Católica e comparadas com práticas de outras comunidades religiosas.
AUTONOMIA
A Frente Parlamentar Católica destacou que o diálogo respeitoso entre o poder público e as diferentes tradições religiosas é fundamental em uma sociedade democrática e plural.
Para o grupo, o respeito também exige que autoridades públicas reconheçam a autonomia das comunidades de fé para definir, de acordo com suas próprias convicções, a doutrina, a disciplina e a organização religiosa.
Questões relacionadas ao ministério ordenado e ao celibato sacerdotal, segundo a Frente Parlamentar Católica, fazem parte da vida e da tradição da Igreja Católica.
Esses temas possuem fundamentos teológicos, sacramentais e eclesiológicos que, conforme o posicionamento, não podem ser reduzidos a comparações entre funções ou modelos de organização.
LIBERDADE RELIGIOSA
O posicionamento da Frente Parlamentar Católica classificou as declarações como motivo de repúdio e destacou o caráter laico do Estado brasileiro como garantia da liberdade religiosa e do respeito a todas as confissões.
A participação de autoridades públicas no diálogo com as religiões, conforme o grupo, deve ocorrer com respeito à identidade, à doutrina e à autonomia de cada tradição religiosa.
A avaliação é de que esse relacionamento não deve incluir a indicação de como as comunidades devem organizar sua vida interna ou compreender elementos próprios de sua fé e tradição.
O deputado federal Luiz Gastão (PSD) destaca que o compromisso da Frente Parlamentar Católica, presidida por ele, permanece voltado à liberdade religiosa, ao respeito entre as diferentes confissões e à construção de um diálogo institucional baseado na responsabilidade e no respeito mútuo.
