Parte dos funcionários e servidores do Instituto Dr. José Frota (IJF) decidiu paralisar os serviços na tarde desta quinta-feira (12). O motivo é a falta de alimentação no hospital para pacientes internados, seus acompanhantes e funcionários. Conforme informações levantadas pelo OPINIÃO CE, o centro cirúrgico foi o primeiro a parar. Ainda não há informações de quantos servidores suspenderam os serviços.
Profissionais da saúde chegaram a se reunir no pátio do IJF, por onde chegam as ambulâncias. Imagens recebidas pela reportagem também mostram o refeitório do hospital vazio e sem funcionar. Por meio das redes sociais, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Ceará (Sindsaúde-CE) explicou que os servidores decidiram paralisar suas atividades em protesto “contra uma situação absurda: a completa falta de alimentação durante o expediente”. “Quem cuida da saúde da população está sendo tratado com descaso e negligência pela gestão, enfrentando condições desumanas de trabalho. Sem refeições, como garantir a saúde e o bem-estar desses profissionais que salvam vidas diariamente?”, disse.
Em nota enviada ao OPINIÃO CE, a direção do Instituto Doutor José Frota reconheceu que, “nesta quinta-feira (12), ocorreu um atraso na entrega das refeições destinadas aos pacientes internados, seus acompanhantes e funcionários”, mas que a situação já foi resolvida junto ao fornecedor responsável. Também em nota, a Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza disse que “está em contato direto com o fornecedor e adotando todas as medidas necessárias para garantir a regularização definitiva do serviço”.
CRISE NA SAÚDE
O IJF tem sido um dos principais pivôs de críticas direcionadas à atual gestão, do prefeito José Sarto (PDT). O Ministério Público do Ceará (MPCE) chegou a cobrar da Prefeitura informações básicas, como quantidade de medicamentos na unidade. Também há relato de falta de insumos como máscaras cirúrgicas e dipirona.
Após repercussão, o prefeito eleito, Evandro Leitão (PT), e o governador Elmano de Freitas (PT) articularam, em Brasília, a liberação imediata de R$ 19,1 milhões para unidades de saúde de Fortaleza, sendo R$ 9,6 milhões para o IJF e R$ 9,5 milhões para a Santa Casa de Fortaleza. O IJF também receberá R$ 34 milhões a partir da emenda parlamentar da senadora Augusta Brito e do ministro da Educação e senador eleito pelo Ceará, Camilo Santana (PT). No anúncio do repasse, os petistas afirmaram que a quantia a ser destinada para o hospital é fruto de um pedido do prefeito eleito de Fortaleza.
MAIS REPÚDIO
Diretores do sindicato dos Médicos do Ceará (Simec) também se manifestaram sobre a situação caótica no IJF. A entidade emitiu uma nota pública na qual externa a indignação e preocupação com os últimos fatos. Eis a íntegra da nota.
“O Sindicato dos Médicos do Ceará manifesta preocupação com a grave situação enfrentada hoje (12), no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, onde pacientes, acompanhantes e funcionários têm sofrido com a falta de alimentação e condições adequadas para atendimento.
Há semanas, a empresa responsável pelo fornecimento de refeições tem negligenciado suas obrigações, deixando pacientes, acompanhantes e funcionários sem alimentação regular. Quando ocorre o fornecimento, os alimentos são de qualidade questionável e em quantidade insuficiente. Hoje, por exemplo, a primeira refeição para os pacientes chegou apenas às 15h, enquanto funcionários e terceirizados permanecem desamparados.
A situação na unidade é agravada pela falta de materiais essenciais, defasagem de equipe e atrasos salariais, que já vêm sendo denunciados há semanas. Esse contexto insustentável levou servidores de diversas categorias a paralisarem suas atividades em protesto contra o descaso generalizado.
Diante dessa crise, o diretor do Sindicato dos Médicos do Ceará, Dr. Maurício Granja, e a gerente jurídica Thaís Timbó se reuniram com a superintendência do IJF para buscar soluções imediatas. Durante o encontro, foi garantido que o jantar de hoje será fornecido e que as refeições estão asseguradas para os próximos quatro dias.
Embora este seja um passo inicial, o Sindicato reforça que medidas urgentes e duradouras precisam ser adotadas para assegurar a continuidade do atendimento à população e condições dignas de trabalho para todos os profissionais envolvidos.”
