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Neymar perde espaço com torcedor e futuro na Seleção vira incógnita

Pesquisa mostra desgaste na imagem do camisa 10, enquanto maioria defende mudanças profundas na CBF para o Brasil voltar ao topo
Ao todo, o camisa 10 atuou por apenas 55 minutos no Mundial. Foram 15 na terceira rodada, diante da Escócia, e cerca de 40 na eliminação para a Noruega, quando marcou o gol brasileiro, de pênalti. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Um novo ciclo de Copa do Mundo começa nesta segunda-feira (20). Na contagem regressiva, faltam 1.419 dias para o próximo Mundial.

Depois da pior campanha desde 1990, com eliminação nas oitavas de final para a Noruega, o torcedor brasileiro passa a questionar a jornada rumo a 2030.

Entre as dúvidas, está a continuidade de Neymar com a Amarelinha. A dúvida é saber se ainda há espaço para o atacante, apontado por muitos torcedores como ex-jogador em atividade.

FUTURO INCERTO

A última rodada do estudo “Eu Vi o Brasil – O país do futebol?”, realizado semanalmente pela agência de pesquisas de mercado IMO Insights com homens e mulheres a partir dos 18 anos, apontou que 46% consideram encerrado o ciclo de Neymar na Seleção.

A percepção, porém, não representa maioria absoluta, ou seja, não supera 50%.

Na direção oposta, 36% dos entrevistados avaliam que o atacante, de 34 anos, ainda merece continuar na equipe nacional. Neymar terá 38 anos na próxima Copa, idade inferior, por exemplo, à que Lionel Messi tinha na edição deste ano.

Outros 18% das respostas indicaram que os participantes não concordam e nem discordam sobre a permanência do jogador.

Apesar da divisão sobre o futuro do camisa 10, a imagem de Neymar sofreu um desgaste significativo entre os torcedores.

Para 67% dos pesquisados, a saída do atacante abriria espaço para uma renovação de olho em 2030. Apenas 14% discordam dessa avaliação, enquanto outros 18% não têm opinião definida.

“Em relação ao levantamento antes do início da Copa, ele [Neymar] perdeu seis pontos percentuais como jogador preferido, aumentou três pontos como jogador de quem os brasileiros menos gostam, inclusive liderando esse indicador com folga, e caiu cinco pontos como jogador que melhor representa o espírito da Seleção Brasileira”, afirmou a diretora de Operações da IMO, Simona Karen Miranda.

DESGASTE

As lesões marcaram o último ciclo de Neymar, que chegou à Seleção para a Copa deste ano, ainda no Brasil, com uma contusão de grau dois na panturrilha direita.

Para 46% dos torcedores entrevistados, Neymar não tem mais espaço na Seleção Brasileira. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Ao todo, o camisa 10 atuou por apenas 55 minutos no Mundial. Foram 15 na terceira rodada, diante da Escócia, e cerca de 40 na eliminação para a Noruega, quando marcou o gol brasileiro, de pênalti.

“Os números sugerem que a discussão em torno de Neymar deixou de ser apenas técnica e passou a refletir um desejo de mudança de ciclo por parte de uma parcela significativa dos brasileiros. Não indica apenas uma perda de popularidade do jogador, mas também uma maior disposição do torcedor para enxergar o futuro da Seleção sem ele”, destacou Simona Karen Miranda.

O futuro de Neymar como jogador profissional também permanece incerto. Depois da eliminação para a Noruega, Neymar da Silva Santos, pai e empresário do atacante, publicou uma carta aberta na qual pediu que o filho não encerre a carreira.

O camisa 10 tem contrato com o Santos até o fim deste ano e se reapresentou ao clube na última sexta-feira (17).

Caso a trajetória pela Seleção tenha chegado ao fim, Neymar se despede com 80 gols em 130 partidas consideradas oficiais pela Federação Internacional de Futebol (Fifa).

Nesse recorte, o atacante é o maior artilheiro da Canarinho, à frente de Pelé, que marcou 77 vezes. Além da medalha de ouro olímpica conquistada nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, ele foi campeão da Copa das Confederações de 2013, realizada no Brasil.

PESO DA CBF

Mais do que o futuro de Neymar, a percepção dos torcedores aponta que o novo ciclo de Copa precisa ser acompanhado por uma transformação na Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Entre os Mundiais de 2022, no Catar, e 2026, a entidade passou por mudanças polêmicas na presidência e quatro trocas de treinador. Após a saída de Tite, ao fim da Copa de 2022, a CBF contratou Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti.

Segundo a pesquisa, 86% dos entrevistados concordam que a CBF precisa de mudanças profundas para que o Brasil volte a ser uma potência no futebol mundial. Além disso, 72% consideram que os problemas de gestão contribuíram para a queda precoce da Seleção.

Curiosamente, somente 14% dos participantes apontaram a CBF como a principal responsável pela eliminação nas oitavas de final.

O desempenho dos jogadores, com 30%, as decisões de Ancelotti, com 20%, e a convocação, com 19%, receberam mais responsabilizações do que a própria entidade.

Apenas 6% avaliaram que a Noruega, seleção que eliminou o Brasil, simplesmente foi melhor.

“Nossa pesquisa mostra que grande parte da conexão do brasileiro com o futebol é construída sobre a nostalgia das grandes conquistas do passado, o que mantém viva a crença de que o Brasil continua sendo uma potência. Embora 70% reconheçam que o Brasil perdeu protagonismo no cenário mundial, ainda prevalece a percepção de que o problema está na forma como esta Seleção jogou esta Copa e não em uma perda definitiva da capacidade do País de revelar talentos ou voltar a disputar títulos”, conclui a diretora da IMO.

Com informações da Agência Brasil.