Menu

Ceará amplia produção de mel e mira retomada das exportações para a União Europeia

Auditoria europeia considera satisfatórios controles brasileiros para carne de aves e mel; decisão sobre a retomada dos embarques deve ser analisada em outubro
Produtores cearenses de mel e própolis participaram de missão comercial com compradores de 10 países. Foto: Reprodução/Governo do Estado

A produção de mel no Ceará cresceu 241,09% em sete anos, passando de 1,77 milhão de quilos, avaliados em R$ 19,9 milhões, em 2017, para 6,5 milhões de quilos, no valor de R$ 74,1 milhões, em 2024. O avanço ocorre em um momento em que o Brasil se aproxima de uma possível retomada das exportações de mel para a União Europeia.

Uma auditoria realizada pelo bloco europeu e divulgada nesta semana pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) considerou satisfatórios os controles oficiais adotados pelo Brasil nas cadeias de carne de aves e mel. O resultado é considerado uma etapa importante para a retomada do acesso ao mercado europeu, mas os embarques ainda não estão liberados.

Leia também | Ceará identifica 69 oportunidades para ampliar exportações à União Europeia

O relatório deverá ser analisado pelo comitê europeu responsável pela decisão final em reunião prevista para os dias 20 e 21 de outubro. A ApexBrasil acompanha os desdobramentos e mantém empresas brasileiras informadas sobre as condições de acesso ao mercado europeu.

Produção de mel do Ceará avança após período de seca

Os dados mais recentes sobre a produção cearense fazem parte de publicação elaborada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

O levantamento mostra que a apicultura enfrentou um período de retração entre 2011 e 2016, em razão dos efeitos da seca. A partir de 2017, no entanto, a produção voltou a crescer e passou a registrar expansão. Em 2022, o Ceará produziu 5,39 milhões de quilos de mel, volume equivalente a 8,64% da produção nacional, o que colocou o Estado na quinta posição do ranking brasileiro naquele ano.

O crescimento da produção amplia o potencial de participação dos produtores cearenses em mercados externos, especialmente diante da possibilidade de reabertura do mercado europeu.

Produtores cearenses buscam compradores internacionais

Enquanto o mercado europeu aguarda a decisão sobre a retomada dos embarques, produtores de mel e própolis do Ceará também participam de iniciativas para ampliar a presença da produção local no exterior. Entre os dias 14 e 18, a missão comercial Exporta Mais Brasil – Mel e Própolis 2026, promovida pela ApexBrasil, reuniu empresas e produtores acompanhados pelo Sebrae Ceará.

A programação passou por três municípios. A agenda começou em Juazeiro do Norte, no Cariri, seguiu para Tauá, nos Sertões dos Inhamuns, e terminou em Fortaleza.

O objetivo foi aproximar produtores cearenses de compradores internacionais interessados no potencial da apicultura brasileira. Ao todo, 10 compradores internacionais participaram da missão, representando empresas e mercados da Suíça, Itália, Polônia, Israel, Estados Unidos, Líbano, Arábia Saudita, China, Malásia e Alemanha.

Missão prepara empresas para exportação

O Exporta Mais Brasil é voltado a produtores rurais, cooperativas e empresas interessadas em iniciar ou ampliar a atuação no mercado internacional. Os participantes selecionados têm acesso a rodadas de negócios presenciais, divulgação na plataforma internacional Buy Brazil, apoio de tradutores durante as reuniões e acompanhamento especializado da equipe da ApexBrasil. No Ceará, o Sebrae participou da mobilização e indicação de clientes atendidos pela instituição em programas e projetos voltados ao setor agropecuário.

Foram selecionados produtores que já haviam passado por consultorias relacionadas a embalagem, rotulagem e adequação dos produtos, além de atenderem às exigências necessárias para a comercialização internacional.

Exportação exige certificações e controle de qualidade

Para participar do processo de exportação, os empreendimentos precisam cumprir uma série de requisitos sanitários, regulatórios e operacionais. Entre as exigências estão o registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com certificação do Serviço de Inspeção Federal (SIF), a adoção de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e a habilitação no Siscomex (Radar).

Também são exigidos certificados internacionais, além do cumprimento de controles de qualidade e realização de análises laboratoriais.

A combinação entre o aumento da produção no Ceará, a preparação dos produtores para o comércio exterior e a possível retomada do acesso ao mercado europeu abre uma nova frente para a apicultura cearense. A decisão definitiva sobre os embarques, porém, ainda depende da análise do comitê europeu em outubro.