O Ceará assumiu a liderança na exportação nacional de pescado no primeiro quadrimestre de 2026. Nos primeiros quatro meses, foram exportados US$ 28,73 milhões (cerca de R$ 148 milhões) em lagosta, camarão e peixes. Mesmo com o resultado, o objetivo é expandir ainda mais a exportação.
O secretário-executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará, Silvio Carlos, afirmou que o Estado possui potencial para ampliar a sua presença no mercado internacional. “O Ceará tem tradição na economia do mar e os números demonstram que ainda há muito espaço para crescer”, afirmou.
Entre as expectativas do setor está a abertura para a Europa, mercado que o Estado ainda não alcançou.
“Mesmo sem exportar para a Europa, somos o principal exportador do Brasil. Com as ações realizadas e o apoio do governador Elmano de Freitas nas interlocuções com os ministérios da Pesca e Aquicultura [MPA] e da Agricultura e Pecuária [Mapa], acreditamos nesse novo momento”, ressaltou Silvio Carlos.
Conforme divulgou o Governo do Estado, o desempenho do setor tem sido responsável por atrair investimentos, o que ajudou a ampliar a presença dos pescados cearenses em mercados internacionais como o asiático, o da Oceania e o da América do Norte.
A localização do Ceará, considerada estratégica, é apontada como um dos diferenciais competitivos. A posição geográfica do Estado, na “ponta do Brasil” e com saída para o Oceano Atlântico, favorece a logística de exportação para 16 países, como apontou o Poder Executivo.
“As facilidades logísticas do Ceará contribuem muito para esse protagonismo, pois estamos muito bem servidos, com dois portos de cargas gerais e um aeroporto internacional. Isso facilita o escoamento das cargas de pescados, tanto congeladas quanto frescas”, destaca o empresário Paulo Gonçalves.
Crescimento
Paulo lidera, em Fortaleza, a Compex Pescados, empresa que exporta cerca de 3,5 mil toneladas por ano de peixes vermelhos, atum e lagosta, para países da Ásia, Oceania e América do Norte, atendendo às exigências específicas de cada mercado.
O empresário acredita que o protagonismo do Ceará no setor é resultado do trabalho conjunto de toda a cadeia produtiva. “O desempenho do estado deve-se ao compromisso e profissionalismo dos pescadores e de todos que participam desse processo”, afirma.
Reconhecida entre as principais exportadoras de frutos do mar do país, a empresa iniciou em Acaraú e, hoje, conta com um parque fabril de 10 mil m², que é fruto da expansão das operações e a instalação do frigorífico no bairro Cais do Porto, em Fortaleza.
No local, os pescados passam por rigorosos processos de industrialização, desde a seleção da matéria-prima até o controle das etapas de produção e armazenamento.
Futuro
O secretário Sílvio Carlos acredita que a estrutura do Complexo do Pecém tem sido decisiva para estimular a instalação de empresas ligadas à exportação e ao processamento de produtos de alto valor agregado. “O Porto do Pecém tem atraído empresas que ajudam a viabilizar exportações de frutas, pescados e outros produtos estratégicos para a economia cearense”, afirma.
O sucesso de empresas como a Compex Pescados, na sua avaliação, está diretamente ligado ao potencial do Ceará na economia do mar e à necessidade de agregar valor à produção local. “O estado tem trabalhado para apresentar suas potencialidades ao mercado internacional, mostrando a localização estratégica no Atlântico e o ambiente favorável para investimentos”, ressalta.
Entre os setores em expansão estão a bovinocultura de corte, avicultura, ovinocaprinocultura, produção de frutas, flores e a carcinicultura — segmento em que o Ceará responde por mais de 50% da produção nacional de camarão.
“A economia do mar cresce continuamente no estado, principalmente com a exportação de lagosta, atum e peixes vermelhos. Isso fortalece toda a cadeia produtiva e demonstra o potencial do Ceará para seguir crescendo acima da média nacional”, conclui o secretário.
