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Brasil alcança pela primeira vez nível de desenvolvimento humano muito alto, aponta Pnud

Avanço foi impulsionado principalmente pela educação; regiões metropolitanas do Nordeste passam a integrar grupo de maior desenvolvimento do País
Betina Barbosa, coordenadora do Pnud Brasil. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Pela primeira vez, o Brasil passou a integrar a categoria de países com desenvolvimento humano muito alto. Em 2024, o País atingiu 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), acima dos 0,744 registrados em 2012.

A classificação de desenvolvimento humano varia de 0 a 1. Na metodologia adotada, índices superiores a 0,800 são enquadrados na faixa de desenvolvimento muito alto.

Os dados fazem parte da pesquisa Radar IDHM, divulgada nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil.

O indicador analisa aspectos relacionados à saúde e longevidade, educação e geração de renda, considerando recortes por raça e sexo. O levantamento abrange o período entre 2012 e 2024.

TRAJETÓRIA

Quando o Pnud iniciou o cálculo do índice, há cerca de 30 anos, o Brasil era classificado como um país de baixo desenvolvimento humano, com IDHM inferior a 0,555.

Entre os componentes avaliados, a educação foi o fator que mais contribuiu para a evolução do indicador nacional. O índice da área passou de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024.

A educação passou de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024. Foto: Divulgação/ Leia Brasil

A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, atribui parte desse avanço aos efeitos acumulados do programa Bolsa Família.

“É o programa Bolsa Família que retira quantidade enorme de crianças do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também, de estar na escola. Então, aqui vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira”, ressalta Batina Barbosa.

Segundo a especialista, os resultados começaram a aparecer cerca de uma década após a criação do programa, período em que os primeiros beneficiários concluíram etapas importantes da educação básica.

INCLUSÃO

Conforme Betina Barbosa, a melhora nos indicadores educacionais foi mais expressiva entre famílias de menor renda, especialmente entre a população negra.

“É aqui que a população negra começa a apresentar melhores indicadores, melhor performance em educação. Então, a política pega um grupo que estava excluído e bota esse grupo para dentro do diálogo do desenvolvimento humano. Isso acontece a partir de 2016 de forma ascendente”, salienta Betina Barbosa.

Na avaliação da coordenadora, o avanço do desenvolvimento humano no Brasil depende da inclusão da população negra e das mulheres nas políticas públicas. “Esses são dois entraves sérios para o Brasil, a desigualdade de raça e a [desigualdade] de gênero”, afirmou.

No campo da saúde, o País já apresentava índice de muito alto desenvolvimento em 2012, com 0,829, resultado associado à consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2024, esse indicador chegou a 0,860.

Já o componente relacionado à renda apresentou crescimento mais lento, passando de 0,732 para 0,760 no período analisado, permanecendo na faixa de alto desenvolvimento.

METRÓPOLES

As regiões metropolitanas continuam concentrando os melhores indicadores de desenvolvimento humano e contribuindo para elevar a média nacional.

De acordo com o estudo, áreas metropolitanas que antes apresentavam desempenho inferior agora ajudam a impulsionar os resultados do País.

Como exemplo, Betina Barbosa citou a Grande Teresina, no Piauí, que alcançou índice de 0,809, enquadrando-se na categoria de desenvolvimento muito alto. “Esses territórios que antes puxavam a média Brasil para baixo, porque não acompanhavam o ritmo de crescimento, agora são unidades que ajudam o País a alcançar a média muito alta”, frisou.

Entre os nove estados nordestinos, sete regiões metropolitanas já registram IDHM muito alto, resultado considerado inédito pelo Pnud.

Natal lidera a lista, com índice de 0,822. Em seguida aparecem Aracaju e Grande Teresina, ambas com 0,809; Recife e São Luís, com 0,806; Salvador e João Pessoa, com 0,803.

DESAFIOS

O relatório também destaca os impactos provocados pela pandemia de covid-19 entre 2020 e 2022. Em 2021, o IDHM brasileiro recuou para 0,757.

Para Betina Barbosa, a maior preocupação esteve relacionada à demora na adoção de medidas capazes de reduzir os efeitos da crise sanitária sobre o desenvolvimento humano.

“Essa negação e esse não envolvimento rápido com a criação de políticas públicas que combatam crises sistêmicas, isso é muito grave. Ainda não nos recuperamos aqui, em termos de esperança de vida, do baque da covid 19”, saçientou Betina Barbosa.

Entre os indicadores que mais preocupam o Pnud está a mortalidade infantil, considerada diretamente ligada à necessidade de respostas rápidas por parte das políticas públicas.

Os resultados do Radar IDHM foram calculados com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com pesquisadores da Fundação João Pinheiro.

Com informações da Agência Brasil.