Menu

O Shaolin do Sertão 2 chega aos cinemas, preserva humor cearense e aposta em novos talentos

Edmilson Filho compartilha bastidores da preparação física

Dez anos depois de conquistar o público com artes marciais, cearensidade e muita “fuleragem”, “O Shaolin do Sertão 2” teve sua pré-estreia nesta terça-feira (11), no Ceará. A sequência dirigida por Halder Gomes chega oficialmente aos cinemas no próximo dia 20 de agosto, trazendo de volta Aluísio Li, vivido por Edmilson Filho, e ampliando o universo apresentado no primeiro filme.

Com orçamento de R$ 10 milhões, a produção aposta em uma estrutura maior, com 62 cenários, efeitos visuais e novos personagens. Apesar da dimensão, a proposta continua sendo preservar o humor cearense como elemento central da história, agora acompanhado por momentos dramáticos, reviravoltas e uma evolução dos personagens. Para Halder Gomes, um dos desafios foi equilibrar a comédia com a grandiosidade da produção.

“O grande lugar da comédia é a surpresa e é surpreender. Então, assim, é muito desafiador. (…) como isso se encaixa com o nosso universo dessa comédia, nosso humor, não só o humor do Ceará, mas o humor particular muito nosso”, explica o diretor.

Um Ceará que se vê na tela

A identidade nordestina permanece como uma das marcas do longa. Para Halder, filmar nos lugares e aproximar o cinema das pessoas é parte fundamental de sua maneira de fazer cinema.

“Sou aficionado pelos lugares, pela cidade, por conviver, integrar o cinema ao lugar, integrar as pessoas trabalhando no projeto. Essa interação é que faz o cinema ser algo tão pulsante e inclusivo. Isso é o que me fascina”, afirma.

As gravações passaram por 10 cidades cearenses. Quixadá, Jaguaretama, Eusébio, Aquiraz e Fortaleza estão entre os locais utilizados pela produção para criar a sensação de uma viagem por diferentes regiões do sertão cearense. O ator Edmilson Filho diz que essa é a magia do cinema e desafia quem vai assistir o filme, a identificar todas as cidades.

“O cinema ele tem essa magia, a gente pensa que está em vários lugares, mas na verdade os lugares eram bem próximas uns aos outros. A gente faz toda essa magia do cinema fazendo pensar que estamos passeando por todo sertão do Ceará”, destacou.

O preparo físico para ser o Shaolin

Em entrevista exclusiva ao Opinião CE, Edmilson Filho compartilhou que a rotina exigiu bastante preparo físico. Além dos treinamentos antes das filmagens, ele mantinha uma rotina diária de academia e prática de lutas durante as gravações para garantir o desempenho nas cenas de ação.

Dez anos após o primeiro filme, o ator também revelou que precisou intensificar a preparação para manter a performance do personagem e enfrentar a exigente logística das filmagens.

“No cinema é tudo muito rápido, eu tenho que estar com a condição física boa, então tanto pela idade, 10 anos depois, tive que redobrar a preparação para a gent manter a mesma perfórmance do primeiro filme”, relatou.

Edmilson manteve uma rotina de treino na academia desde o primeiro filme. Além do próprio treinamento das lutas e chutes realizados nas filmagens.

A representatividade

A representatividade também ganha espaço com a presença da atriz Aya Matsusaki, que destaca a importância de diferentes grupos se reconhecerem nas produções brasileiras. Para ela, o cinema de Halder estabelece um paralelo com a busca por maior representação de pessoas amarelas nas telas.

“Quando a gente se vê, a gente se identifica, a gente se orgulha, a gente passa a cuidar mais o que é nosso. (…) trazer o Ceará para a tela e as pessoas se verem, o Brasil todo se ver e entender que o Brasil é plural”, afirma.

E tudo isso acontece sem deixar o humor de lado. “O mais incrível aqui é com comédia. Rindo e você está construindo uma noção de Brasil que eu acredito. É isso”, completa a atriz.

Novos rostos, novas histórias

Entre as novidades do elenco está João Pedro Frota, que faz sua estreia como ator e divide a tela com nomes já conhecidos do cinema e da televisão. Para o jovem, a experiência foi marcada tanto pelo aprendizado quanto pela convivência com o elenco.

“Foi uma experiência, assim, muito diferente, eu nunca tinha vivido nada parecido”, conta.

João Pedro também destaca a relação construída nos bastidores e a oportunidade de aprender com os colegas, especialmente dentro do característico humor da produção.

“Todo mundo aqui, todos os atores aqui, a experiência de conhecer o pessoal, de frescar, tirar onda. Fora de aprender umas coisinhas fuleiradas, além das brincadeiras, rapaz, foi bom demais”, brinca.

A experiência, segundo o ator mirim, deixou uma marca que vai além das gravações. “Essa experiência foi, assim, algo que eterniza na vida da pessoa. Sempre vou poder dizer que eu tive lá, O Shaolin do Sertão 2, algo que fica, e a pessoa sempre lembra. Então, foi uma experiência sensacional”, afirma.

Uma comédia que não brinca em serviço

Se o primeiro filme conquistou o público pelo humor e pelas referências às artes marciais, a sequência mantém a fórmula, mas amplia a escala. Personagens conhecidos retornam, novos nomes entram para a trupe e a história acompanha um Aluísio Li mais experiente e também mais marcado pelas dificuldades.

A produção aposta em efeitos visuais, cenários elaborados e profissionais que também atuam em grandes filmes nacionais. A intenção é mostrar que fazer comédia não significa fazer de qualquer jeito.

“As pessoas que estão aqui são as mesmas que fazem os grandes filmes nacionais de drama, por exemplo. (…) para imprimir o talento delas, a arte e a qualidade na comédia pra que esse gênero comece a colocar outros parâmetros na forma de fazer cinema no Brasil. Vamos subir o sarrafo”, destaca Halder.

O resultado é uma produção que mantém a irreverência cearense, mas trata a comédia com o mesmo cuidado dedicado às cenas de ação e aos momentos dramáticos. “O Shaolin do Sertão 2” busca reafirmar que o Ceará também pode ser protagonista e que rir, por aqui, pode ser coisa séria.