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Redes sociais ampliam interesse por livros, diz escritora de ‘Tudo é Rio’

Autora diz que clubes de livros e festivais de literatura ajudam a aumentar o interesse pela leitura
Centenas de pessoas se reuniram em pleno sábado à noite, para ouvir uma das autoras mais lidas do país. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Convidada da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), em Salvador, no último sábado (8), a escritora mineira Carla Madeira, voz por trás de obras como Tudo é Rio, A Natureza da Mordida e Véspera defendeu que “livro é uma ocasião de conversar”.

Centenas de pessoas se reuniram em pleno sábado à noite, para ouvir uma das autoras mais lidas do país. Escritora de ficção mais lida do Brasil, com mais de 1 milhão de cópias vendidas, ela celebrou o fato de mais brasileiros estarem lendo e o crescente hábito de debater obras em clubes de leitura e nas redes sociais.

“As pessoas estão descobrindo que é legal conversar sobre o que elas leem, concordar, discordar, discutir, entrar com outras vozes, cruzar livros, cruzar informações, criticar, aplaudir, está tudo valendo. E isso é maravilhoso porque é um exercício de troca e tem uma riqueza de ampliar a consciência”, reforçou.

Para ela, a ampliação dos clubes de livros e de festivais de literatura ajuda a aumentar o interesse pela leitura. “Isso está sendo festejado, está sendo ampliado. E as redes sociais têm um papel superimportante nisso”, completou.

No entanto, apesar do maior interesse pelos livros, a escritora acredita que o brasileiro ainda lê pouco, no universo de um país com 220 milhões de pessoas: 

“Quando se confrontam os números do mercado editorial a esse dado demográfico, não há como negar que o brasileiro lê pouco. Mas tem muitas questões envolvidas nisso que vão desde a educação formal e o incentivo à leitura até o acesso ao livro e locais para se ler”, disse ela.

Políticas públicas

Em entrevista à Agência Brasil, pouco antes de conversar com o público da Flipelô, a escritora ressaltou que é importante haver políticas públicas para incentivar e aumentar o acesso aos livros.

Em 2024, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, apontou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora no Brasil, o equivalente a cerca de 93,4 milhões de pessoas. Mas a maioria, 53%, não havia lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores.

“A gente está falando de uma realidade que é muitas vezes diferente de uma certa bolha ali que tem condição de ter acesso a livro, que tem uma casa ou que tem um quarto, que tem uma luz à noite adequada. E aí vai um monte de questões sociais que eu acho que tem impacto sobre isso”, acrescentou.

Novo livro

Durante a mesa na Flipelô, que atraiu um grande público para o Largo do Pelourinho, a escritora mineira contou que seu novo livro “Quando” será lançado ainda neste mês.

A obra aborda a história de uma mãe que denuncia seu próprio filho à polícia e foi escrita no momento em que Carla Madeira vivenciava três lutos em sequência: a morte de sua mãe, de seu psicanalista e de sua sócia.

“Quando começou muito caoticamente. Não tem nada a ver com essa história, com esse luto, eu não faço autoficção. Mas nesse período eu comecei a ler e comecei a querer uma linguagem para dar conta do real. Todo corpo afetado, perturbado, ele quer buscar retornar um estado de equilíbrio, de regularidade. Então, qual é o recurso que ele tem? A linguagem. A gente vai lá na linguagem para reorganizar o corpo”, relatou.

O novo livro, contou ela, fala sobre uma mãe doente que espera pelo reencontro com seu filho. “Ela está para morrer e espera rever esse filho que ela não vê há 20 anos. Nessa espera, a gente começa a conhecer o que aconteceu antes, em 1986, que é aquele período em que o Brasil volta a ter eleições diretas. O livro se passa nesse período, com as heranças da ditadura ainda ali presentes”.

Este é, segundo Carla Madeira, mais um livro sobre um tema que lhe é muito caro: a maternidade.

“A maternidade é uma coisa que está muito presente nos meus livros. Não só a maternidade, mas essa ideia da família como um lugar fundante, um primeiro lugar que nos recebe no mundo e que vai ser determinante, para o bem ou para o mal. É ali onde acontecem os primeiros pactos civilizatórios. É onde começamos a ter nossa primeira visão de mundo”,