O audiovisual brasileiro voltou a ganhar destaque internacional com novas conquistas no Prêmio Platino. A cerimônia ocorreu na noite de sábado (9), em Cancún, no México, com vitórias expressivas para produções nacionais.
Quatro troféus ficaram com o longa O Agente Secreto, reforçando o protagonismo do Brasil na principal premiação do cinema ibero-americano. Séries e filmes da América Latina, Portugal e Espanha participam do evento.
A produção Apocalipse nos Trópicos, dirigida por Petra Costa, venceu como Melhor Documentário na 13ª edição da premiação. O reconhecimento ampliou a presença brasileira entre os vencedores.
PREMIAÇÃO
O filme dirigido por Kleber Mendonça Filho conquistou Melhor Filme, Roteiro, Diretor e Ator. A vitória marcou a primeira vez que um brasileiro recebeu o prêmio de Melhor Ator na história da premiação.
O resultado soma-se aos troféus conquistados anteriormente pela produção. No ano passado, Fernanda Torres foi eleita Melhor Atriz por Ainda Estou Aqui, vencedor da edição anterior.
A trama de O Agente Secreto acompanha Armando, professor universitário perseguido pela ditadura militar. A fuga de São Paulo para Recife e a adoção de nova identidade conduzem a narrativa ambientada nos anos 1970.
RECONHECIMENTO
Elementos da cultura pernambucana aparecem na produção, como a lenda da perna cabeluda e a Banda de Pífanos de Caruaru. A trilha sonora e a direção de arte integram a narrativa.
A estatueta recebida por Kleber Mendonça Filho foi acompanhada de discurso sobre desinformação.
“É um momento em que a verdade está sendo discutida e manipulada. De fato, é um momento de mentiras no mundo, mas o cinema é um poderoso instrumento para narrativas cheias de poesia, de aventuras fantásticas, drama humano, histórias de amor e afeto, com verdade e honestidade”, ressaltou o cineasta brasileiro.
O ator Wagner Moura não compareceu por compromissos profissionais na Espanha. Um discurso de agradecimento foi lido durante a cerimônia.
“Amo o Prêmio Platino, ver nossa cinematografia celebrada, encontrar amigos, descobrir talentos, filmes, artistas, trabalhadores do cinema falado em português e espanhol (…). Amo cada vez que percebo o Brasil integrado a uma cultura abrangente”, diz a carta enviada pelo brasileiro.
O prêmio foi dedicado ao diretor Kleber Mendonça Filho, que confirmou convite para novo filme. Dias antes, o ator já havia vencido como Melhor Ator pelo júri popular da premiação.
OUTROS DESTAQUES
Prêmios técnicos também foram conquistados pela produção nas categorias Direção de Arte, Música e Montagem. As estatuetas foram anunciadas previamente para integrantes da equipe criativa.
Na categoria Documentário, Apocalipse nos Trópicos superou produções do Paraguai e da Espanha. O longa acompanha o governo de Jair Bolsonaro (PL-RJ), aborda a tentativa frustrada de golpe em 2023 e discute a influência da fé evangélica na política.
O produtor e pesquisador Brunno Pacini destacou o papel do gênero ao receber o prêmio. “Os documentários têm a capacidade de transformar o trauma em memória e a memória em movimento”, afirmou.
Entre as séries, Beleza Fatal conquistou o troféu de Melhor Série de Longa Duração. A diretora Maria de Médicis homenageou Dennis Carvalho e celebrou o gênero novela. “Viva a novela, viva o Brasil”, comemorou.
A edição contou com sete produções brasileiras indicadas entre cerca de 100 obras concorrentes em 36 categorias.
Com informações da Agência Brasil.
