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Da bicicleta a 70 mil hortaliças por dia: empresário cearense transforma negócio em gigante da distribuição

Mercado de hortifrúti movimenta o campo, a logística e o varejo, chegando a R$ 68,7 bilhões
Alderlan Sampaio comanda uma operação com cerca de 40 veículos e distribuição para aproximadamente 350 supermercados no Ceará e no Piauí. Foto: Caterine Rocha/Opinião CE

O mercado brasileiro de frutas, legumes e hortaliças movimenta uma cadeia bilionária e revela oportunidades que vão muito além da produção no campo. Em 2025, as Centrais de Abastecimento (Ceasas) comercializaram 16,6 milhões de toneladas de hortifrúti, movimentando R$ 68,7 bilhões. Por trás desses números está uma complexa engrenagem que envolve produtores, distribuidores, transportadores, supermercados e consumidores.

No Nordeste, essa cadeia ganha ainda mais relevância. A diversidade agrícola, a produção em diferentes regiões e a expansão do consumo criam espaço para novos negócios, mas também impõem desafios relacionados à infraestrutura, logística, custos, clima e redução de desperdícios.

No hortifrúti, tempo também é dinheiro. Diferentemente de outros segmentos, estamos falando de produtos perecíveis, nos quais temperatura, armazenamento, transporte e velocidade de distribuição interferem diretamente na qualidade e na rentabilidade. É nesse cenário que empresas especializadas em conectar produção e varejo assumem um papel estratégico. Um exemplo é o Grupo Campo Ouro Verde, empresa cearense que ganhou escala ao transformar uma operação que começou de maneira simples em uma estrutura de distribuição de grande porte.

A história foi contada pelo próprio Alderlan Sampaio, CEO do Grupo Campo Ouro Verde, em entrevista a Karla Sousa e Jordan Vall no Mesa de Negócios, do Opinião CE. A entrevista na íntegra vai ao ar às às 20h desta sexta-feira (4), no canal do OpiniãoCE no YouTube.

Como tudo começou

O empreendedor revelou que começou entregando hortaliças de bicicleta pelas ruas de Messejana e, aos poucos, foi estruturando o negócio, reinvestindo na operação e ampliando sua atuação. A bicicleta ficou para trás, mas a lógica empreendedora permaneceu: entender o mercado, atender o cliente e reinvestir no próprio negócio.

Hoje, o Grupo Campo Ouro Verde trabalha em parceria com produtores de Tianguá, na Serra da Ibiapaba, e distribui diariamente sua produção para cerca de 350 supermercados no Ceará e no Piauí. São aproximadamente 70 mil unidades de hortaliças comercializadas por dia, apoiadas por uma estrutura logística com cerca de 40 veículos, incluindo caminhões climatizados.

A dimensão dessa operação ajuda a explicar uma transformação importante no agronegócio: produzir é apenas uma parte do negócio.

Entre a propriedade rural e a gôndola do supermercado existe uma cadeia que precisa funcionar com precisão. É necessário planejar a produção, garantir padrão de qualidade, organizar a distribuição, controlar custos, reduzir perdas e atender às demandas do varejo. E quanto maior a escala, maior também a necessidade de profissionalização.

A trajetória de Alderlan Sampaio é marcada por reinvestimento, expansão e profissionalização. Foto: Caterine Rocha/Opinião CE

A trajetória da Campo Ouro Verde mostra como a logística pode se transformar em vantagem competitiva. Em um mercado de produtos perecíveis, uma operação eficiente pode significar menos desperdício, maior qualidade e melhores condições para atender grandes redes varejistas. Outro ponto fundamental é a gestão financeira. Crescer em faturamento não significa necessariamente aumentar o lucro. Uma empresa em expansão precisa financiar estoque, veículos, estrutura, pessoas, tecnologia e capital de giro.

Foi nesse processo que Alderlan construiu uma visão empresarial que vai além do volume de vendas: não confundir faturamento com lucro.

A diferença é essencial para qualquer negócio que queira crescer de maneira sustentável. O mercado também está mudando pelo lado do consumidor. A busca por alimentos frescos, saudáveis, de qualidade e com maior percepção de procedência aumenta as exigências sobre toda a cadeia. O varejo precisa de regularidade; o produtor precisa de planejamento; o distribuidor precisa de eficiência.

Essa conexão entre os elos pode representar uma das grandes oportunidades para o agronegócio nordestino. Fortalecer a produção regional significa também criar mercados para produtores, movimentar transportes, gerar empregos e ampliar a circulação de renda dentro da própria economia. Empresas que conseguem fazer essa ponte entre quem produz e quem vende passam a ocupar uma posição estratégica.

A história da Campo Ouro Verde é, portanto, maior do que a trajetória de uma empresa que saiu de uma bicicleta para uma frota de veículos. É um exemplo de como empreendedorismo, agronegócio, logística e gestão podem se combinar para transformar uma necessidade cotidiana, colocar alimento na mesa,em um negócio de escala. O futuro desse mercado passa por produtividade, tecnologia, profissionalização, inteligência logística e capacidade de reduzir desperdícios. E o Nordeste tem espaço para avançar ainda mais nessa cadeia.

Cariri se prepara para receber a 2ª edição da Feira Ceará Gera Negócios

Com o tema “O futuro é agora: inovação e tecnologia”, o Cariri se prepara para receber a 2ª edição da Feira Ceará Gera Negócios. Com entrada gratuita e programação voltada para empreendedores, empresários e o público em geral, o evento será realizado de 09 a 12 de setembro, no Parque de Exposição Pedro Felício, no Crato.

Cláudio Falcão e Flávia Ferreira participam do evento. Foto: Divulgação

Entre os nomes confirmados na programação, a Feira Ceará Gera Negócios recebe na sua abertura oficial, no dia 09 de setembro a palestra “Empreendedorismo Feminino: do Serasa ao Sucesso”, ministrada pela CEO do Instituto de Educação Construir e Diretora Executiva Educacional da G&T Controller, Flávia Ferreira. Em seguida o evento conta com a participação do administrador, técnico em contabilidade, especialista em Gerenciamento de Projetos e CEO da G&T Controller, Cláudio Falcão, que apresentará a palestra “Empreender para Transformar: Da Gestão Pública ao Impacto Social”.

Fraport Brasil assume administração do Aeroporto Regional de Jericoacoara

A Fraport Brasil assumiu nesta terça-feira, 1º de setembro, a gestão do Aeroporto Regional de Jericoacoara – Comandante Ariston Pessoa, iniciando uma nova etapa. A concessionária pretende qualificar a infraestrutura e prepará-la para o crescimento futuro da demanda de passageiros, com foco em uma operação mais segura, eficiente e confortável para usuários e companhias aéreas.

A concessão integra o programa federal AmpliAR, voltado à ampliação e modernização de aeroportos regionais. O leilão foi realizado em 27 de novembro de 2025, e o contrato foi assinado em 10 de março de 2026. Com o novo contrato, o aeroporto de Jericoacoara passa a ter sinergia operacional com o Aeroporto Internacional de Fortaleza, também administrado pela Fraport Brasil.