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A quem, além da extrema-direita, interessa a crise? O que o cidadão ganha com a corrosão da Justiça?

Coube ao “terrivelmente evangélico” André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) indicado por Jair Bolsonaro, ao qual...
Foto: reprodução

Coube ao “terrivelmente evangélico” André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) indicado por Jair Bolsonaro, ao qual também serviu na gestão desastrosa, a missão de espocar uma bomba institucional. Acusou um colega de irregularidades, sem dizer que o estava acusando. André Mendonça não escolheu qualquer um, mas aquele a quem os bolsonaristas xingam de carrasco: Alexandre de Moraes. Foi “Xandão” quem sentenciou Jair Bolsonaro pelo golpe de estado de 8 de janeiro de 2023 – 27 anos e três meses são a sentença em curso. É “Xandão” quem o mantém preso e com tornozeleira eletrônica. Daí, numa lógica enviesada, está sendo atropelado pelo trator do radicalismo e da cumplicidade de setores vários. A questão é: terá sido a bomba institucional espocada por André Mendonça uma bomba de fumaça? É possível que a manobra tenha a ver com a decolagem no Senado das análises do fim da jornada 6×1 – pauta francamente favorável ao presidente Lula? Também poderia se relacionar ao depoimento dado na semana passada por Daniel Vorcaro à Polícia Federal? Outra análise aponta para o interesse de realçar uma aliança entre Lula e Alexandre, mesmo sabendo-se que o magistrado chegou ao STF pelas mãos de Michel Temer (MDB), vice-presidente que agiu pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT). Há uma crise, não há dúvidas. Fala-se no Congresso, sobretudo entre oposicionistas, no impedimento de Alexandre de Moraes e na suspensão da análise de pautas de interesse do governo Lula. É aí que pode estar o interesse inconfesso. Resta saber: o país tem de pagar por isso? O trabalhador vai pagar a conta do que fez André Mendonça ao tratorar as regras básicas do STF?

Falou sozinho?

Relevante: disse à Imprensa que a Polícia Federal expôs 52 conversas de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes. Em nenhuma delas aparece resposta do ministro. Um exemplo é esse: “2ª, tenho que estar fora?”, teria perguntado o ex-banqueiro mafioso. Não consta conselho ou resposta de Alexandre. A PF também não apresentou imagens de encontros, inclusive em locais públicos, que ambos teriam tido. Que raios de investigação é essa?

Micro atento ao macro

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte tem agenda amanhã em Fortaleza. Paulo Henrique Pereira participa de iniciativa da Associação dos Jovens Empresários. Vem falar sobre “Empreendedorismo, Ambiente de Negócios e Políticas Públicas para o Fortalecimento das Micro e Pequenas Empresas”. O diretor técnico do Sebrae-CE, Alci Porto, é outro nome importante no evento.

Olhares

O AJE Talks – Encontro Empresarial terá o temário focado em cenários, reforma tributária e inovação para os negócios. Será no auditório do Sebrae (Av. Monsenhor Tabosa, 777, Praia de Iracema). Começa às 9h.

Ligue os pontos

Ontem surgiram revelações de que André Mendonça se reuniu com Daniel Vorcaro e que, fora das agendas institucionais, recebeu pedido e conselho de advogado próximo ao dono do banco Master. E é também inescapável a lembrança: Vorcaro deu R$ 134 milhões para o filme que tem Jair Bolsonaro como figura central – e para o qual foi o próprio senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, quem pediu o dinheiro.

Sentiram?

Sobre o fato de ter sido classificado como “quinta-coluna” pelo governador Elmano de Freitas (PT), por ter se afastado das pautas progressistas e abraçado a extrema-direita e o bolsonarismo, Ciro Gomes (PSDB) e o entorno dele optaram pelo mais constrangedor silêncio. Isso pode ser uma solução política ruim. A Coluna tratou do assunto na última terça-feira.

Tem troco

É possível que a análise de Elmano – que, embora rigorosa, está longe de ser irreal ou excessiva – seja respondida por Ciro Gomes nos programas eleitorais desta semana, mesmo que essa hipótese não tenha sido admitida por assessores do comitê com quem a Coluna conversou: “Isso quem vai decidir são o Ciro e o comando da campanha”.

No lado oposto

A grande dúvida, no entanto, é saber de que forma Ciro dará o troco – se é que vai dar. No fim das contas, os fatos e a biografia do tucano sustentam o que Elmano de Freitas falou: o adversário era progressista mas debandou, numa guinada de 180 graus, para o lado direito do fazer político. De todo modo, contestar pode não dar certo e silenciar há de ser uma confissão.