Ex-deputado estadual, ex-prefeito de Fortaleza, ex-governador do Ceará, ex-ministro da Fazenda e da Integração, ex-candidato a presidente da República, intelectual respeitado, excepcional expositor de temas, dono de prodigiosa memória. Ciro Ferreira Gomes arrasta atrás de si um currículo invejável. Queria ser “o homem que construiu um rio”, transpondo água para abastecer Fortaleza na crise hídrica dos anos 1990. Gostaria de ser lembrado como o gestor que conquistou para o pobre Ceará o prêmio Maurice Pate, do Unicef, por feitos a favor da infância. Poderia estar agora encerrando com brilho uma carreira política incomum – iniciada em meados dos 1970 no movimento estudantil, embora vinculado a alas menos progressistas -, mas optou por lixar todo o verniz aplicado sobre o que construiu e abandonar a responsabilidade política em nome do oportunismo. Não é fácil escrever isso, mas é necessário: Ciro se tornou nada mais do que uma linha acessória do nefasto bolsonarismo, fazendo o que o fascismo mais despudorado não consegue fazer. Vê-lo aos encontrões com desafetos, enxergando inimigos nas sombras e mostrando os dentes para antigos aliados e até para os irmãos é uma experiência incômoda. Virou um “mangabeirista”, paralelo ao que são os “olavistas”. Ciro se identificava mais com personagens firmes e destemidos, com coragem cívica e, sobretudo, com capacidade de liderança. O esforço que tem feito, contrariando a si, para igualar técnica e moralmente Lula e Dilma com Bolsonaro, Camilo Santana, Elmano de Freitas e o mano Cid Gomes com Tasso Jereissati nada mais parece do que birra de menino. Só que Ciro não é mais menino – sequer foi um “enfant terrible” – há muito tempo.
Você acreditou?
É explicável que Ciro Gomes, deslumbrado com a atenção que recebe e com qualquer microfone que lhe surja à frente, desfie sua fala exótica, recheada de expressões populares desajustadas da retórica dândi comum a personagens qualificados como ele, mas é inaceitável que se permita servir ao que há de mais ameaçador à democracia. A propósito, foi de Ciro a avaliação em novembro de 2018, num evento da corretora XP, de que Bolsonaro “não ameaça a Democracia”, que o ex-presidente “não tem vontade” de dar golpe de Estado nem “meios” para executar isso. Quem acreditou?
Pão e circo
O vereador Paulo Martins (PDT) aproveitou o feriadão de Carnaval para pôr em tramitação na Câmara Municipal seis projetos de construção de areninhas e requalificação de praças em bairros da periferia. Para não ficar atrás, Julierme Sena (União), bolsominion que se orgulha de ser o que é, apresentou igual número de matérias cobrando ações para iluminação pública, instalação de areninha e poda de árvores na região Leste de Fortaleza.
Errou feio, errou rude
A Coluna derrapou espetacularmente em nota no último sábado (17). Escrevemos que a Prefeitura de Fortaleza tem projeto para construir “habitações de interesse social” em terreno de propriedade do município no Bairro Conjunto Palmeiras. Serão 160 unidades de 10,08 metros quadrados, com custo de R$ 164 mil cada uma. Na verdade, 10,08 mil metros quadrados são a área total do terreno onde as casas serão erguidas.
“El día que mi quieras…”
Cumprindo as graves tarefas de inaugurador de obras alheias, o prefeito em exercício de Fortaleza, Gardel Rolim (PDT), não descuida de fazer – ainda que valeada – propaganda do chefe, José Sarto, nem de puxar a sardinha para a própria brasa. “Fazemos parte do mesmo projeto”, tem dito. “É uma honra fazer parte desse time, desse grupo e dar continuidade, esta semana, ao trabalho do prefeito Sarto”, completa sempre.
“… No hablá más que armonía”
É óbvio que não se deve nem pode esperar de Gardel Rolim uma reviravolta na gestão municipal, um gesto de correção de rumos, uma guinada pela eficiência dos serviços públicos de Fortaleza. Gardel é, além de um aliado bem-instruído, um disciplinado seguidor da máxima político-futebolistíca segundo a qual “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.
Dignidade no cardápio
A Assembleia Legislativa firmou nesta segunda-feira (19), em ato solene no Centro de Eventos, termo de cooperação com sete unidades gerenciadoras do programa Ceará Sem Fome. Os acordos se referem à entrega de equipamentos que servirão a cozinhas solidárias. Trezentas unidades produtoras de refeições, em diferentes cidades, serão beneficiadas. O investimento foi de R$ 3 milhões.
Vai mal
A Polícia Militar do Ceará resgatou uma jiboia de três metros em Caucaia e outra da mesma espécie em Fortaleza, uma coruja no Crato, tirou um gato de uma cisterna e livrou um trabalhador, que estava preso numa plataforma elevada, num prédio na Capital. Quase que, ao mesmo tempo, ocorreram chacinas em Aracoiaba e Caucaia. E assim segue a Segurança Pública em ano eleitoral.
