As senhoras leitoras e os senhores leitores precisam lembrar – e, se necessário for, anotem: chamam-se André Fernandes, Jaziel Pereira e Júnior Mano os três deputados do Ceará que votaram pela soltura do colega Chiquinho Brazão (UB), preso pela Polícia Federal por elementos que indicam ter sido ele um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ). E atende pela alcunha de “Lôra” uma deputada, que se diz enfronhada na luta política das mulheres, que deixou de votar. Isso mesmo: Luizianne Lins (PT) não deu o ar da graça na sessão, nem mesmo em modo digital.
A ação e a inação desses representantes dos cearenses apoiaram a libertação de um sujeito vinculado a milícias e, segundo a PF, autor intelectual de um crime bárbaro – no qual também foi vítima o motorista Anderson Gomes. Ficaram pertinho de praticar um ato de cumplicidade. O que Brazão tem em comum com André, Jaziel e Mano? Fácil: os quatro falam de família, pátria, dizem que bandido bom é bandido morto, atacam direitos civis e são bolsonaristas. E com Luizianne? Pouco, muito pouco – talvez só o rancor com a política que não os favorece.
SILÊNCIO ELOQUENTE
A deputada estadual Larissa Gaspar (PT) emitiu nota nesta semana repudiando agressão do ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) à senadora Janaína Farias (PT). A bancada feminina no Senado também manifestou crítica. Bolsonaristas, até eles!, se pronunciaram contra o ataque. Quem calou consentiu.
CIRO, O FRACASSADO
E a graça de mais esse episódio bizarro de Ciro Gomes ficou por conta do deputado Antônio Henrique (PDT). Ele “justificou” dizendo que o chefe só queria “mostrar a importância do Senado para os cearenses”. Se era para dar lição sobre uma casa parlamentar, Ciro, que disse que a senadora resolvia “assuntos de cama” do ministro Camilo Santana e a comparou a um cavalo, não conseguiu. Fracassou – o que, ademais, marca a trajetória dele.
VIL METAL
Há um motivo escamoteado para Elon Musk, bilionário sul-africano, atacar o Brasil e as instituições democráticas: dinheiro. O Brasil vai sediar na Bahia uma fábrica de carros da marca BYD. Será onde funcionava uma unidade da Ford, que deixou o País no governo de Jair Bolsonaro. E foi o presidente Lula quem articulou a nova finalidade da fábrica. A BYD é concorrente dos veículos Tesla, que Musk produz na China. Basta ligar os pontos para matar a charada.
PERDEU A DIREÇÃO
Elon Musk estaria retaliando o Brasil por o governo ter acolhido aqui uma concorrente do setor automotivo. Dose extra para explicar a agressão: os carros da BYD estariam sendo mais bem-recebidos pelo mercado do que os da Tesla.
VIAJOU
O deputado Leonardo Pinheiro (Prog) pôs para tramitar na Assembleia Legislativa projeto com o qual inclui o Dia do Jornalista de Turismo, 15 de julho, no Calendário Oficial de Eventos do Ceará. A proposta tem uns 10 anos de atraso – há quase uma década a Imprensa local não tem mais cadernos de turismo e os programas sobre o tema na TV cearense foram, digamos, desligados.
LÁ E CÁ
Na mesma batida de Leonardo, o deputado Stuart Castro (Avante) encaminhou matéria que aponta “destacada relevância esportiva no Estado” do esporte conhecido como Beach Tennis – que os mais antigos chamam mesmo é de frescobol. Na verdade, Stuart deu uma raquetada na timidez e, sem pedir licença, copiou texto que até em Minas Gerais, que nem praia tem, já foi apreciado.
FOI COM ATRASO NA BOLA
E, talvez para não se sentir inferiorizado diante de tão graves atividades dos deputados, o vereador Júlio Brizzi (PDT) propôs e a Câmara de Fortaleza aceitou, sessão solene em homenagem ao Dia Municipal do Voleibol. Mas tem uma certa leseira aí, viu? É que o Dia do Vôlei transcorreu em 9 de fevereiro.
