A transformação digital trouxe ganhos importantes para empresas e consumidores, mas também ampliou um desafio ambiental que não pode mais ser ignorado: o crescimento do lixo eletrônico. O Brasil é o quinto país do mundo que mais produz esse tipo de resíduo, com cerca de 2,4 milhões de toneladas geradas por ano.
Esse foi um dos temas discutidos no Mesa de Negócios Insights, em entrevista conduzida por Karla Sousa e Jordan Vall com André Cardoso, coordenador do Hub Inova da Faculdade Inbec e presidente do projeto Robótica Sustentável.
Durante a conversa, André Cardoso chamou atenção para os impactos provocados pelo descarte inadequado de computadores, celulares, impressoras, cabos, baterias e outros equipamentos eletrônicos. Quando destinados de forma incorreta, esses materiais podem provocar contaminação do solo e da água e gerar danos ao meio ambiente. A entrevista completa fica disponível no canal do YouTube do Opinião CE a partir das 20h desta sexta-feira (14).
O problema também envolve diretamente as empresas. Equipamentos eletrônicos fazem parte da rotina de praticamente todas as organizações, e a responsabilidade não termina quando um computador ou outro dispositivo deixa de ser utilizado. É preciso pensar em todo o ciclo de vida do equipamento: aquisição, utilização, manutenção, reaproveitamento e descarte.
André Cardoso alertou ainda que o descarte irregular pode trazer consequências para as empresas, incluindo multas, sanções e outros problemas relacionados ao cumprimento da legislação ambiental. Mais do que uma obrigação legal, a gestão adequada dos resíduos eletrônicos deve fazer parte da estratégia empresarial.
Outro ponto importante levantado na entrevista é que investir em práticas sustentáveis não deve ser visto apenas como custo ou obrigação.
Dependendo da legislação e dos programas de incentivo disponíveis, determinadas iniciativas ambientais podem proporcionar benefícios econômicos, inclusive oportunidades de redução ou compensação de tributos.
Além disso, empresas que adotam boas práticas ambientais podem buscar selos, certificações e reconhecimentos de sustentabilidade, fortalecendo sua reputação, sua imagem institucional e sua competitividade no mercado. Ou seja, cuidar corretamente dos resíduos eletrônicos pode representar muito mais do que evitar problemas ambientais. Pode contribuir para uma estratégia empresarial que una responsabilidade ambiental, eficiência, reputação e geração de valor.
É importante, porém, que qualquer benefício tributário seja analisado de acordo com a legislação e os incentivos aplicáveis a cada empresa, setor e localidade. Um dos destaques da entrevista foi a iniciativa desenvolvida pela Faculdade Inbec em parceria com o Instituto Robótica Sustentável, que realiza a coleta gratuita de resíduos eletrônicos em empresas. A dimensão do trabalho ajuda a revelar o tamanho do desafio. Somente em 2025, foram coletadas pela Faculdade Inbec 97 toneladas de lixo eletrônico no Ceará. São computadores, celulares, cabos, equipamentos e outros materiais que deixam de ser descartados de maneira inadequada e passam a ter uma destinação ambientalmente mais responsável.

A iniciativa mostra que empresas podem contribuir de maneira concreta para enfrentar o problema. A destinação correta dos resíduos, além de reduzir impactos ambientais, também demonstra compromisso com práticas de responsabilidade socioambiental.
Para André Cardoso, um dos principais caminhos para enfrentar o problema está na educação dentro das empresas. Não basta criar uma política de sustentabilidade no papel. É necessário orientar colaboradores sobre o que fazer com equipamentos que não têm mais utilidade, estabelecer procedimentos internos e criar uma cultura de responsabilidade ambiental. A conscientização precisa alcançar desde quem utiliza o equipamento diariamente até os responsáveis pelas áreas de tecnologia, compras, patrimônio, sustentabilidade e gestão.
Outro ponto importante é a segurança da informação. Antes de encaminhar computadores, celulares e outros dispositivos para reciclagem, as empresas precisam garantir que os dados armazenados sejam devidamente protegidos e eliminados.
A discussão sobre lixo eletrônico se conecta a uma questão mais ampla: a sustentabilidade precisa estar integrada à gestão empresarial. Aumentar a vida útil dos equipamentos, realizar manutenção, evitar substituições desnecessárias, priorizar equipamentos mais eficientes, promover o reaproveitamento e garantir a destinação correta são medidas que podem contribuir simultaneamente para a preservação ambiental e para uma gestão mais eficiente dos recursos.
Em um cenário de avanço acelerado da transformação digital e da inteligência artificial, essa discussão ganha ainda mais relevância. Quanto maior o consumo de tecnologia, maior também a responsabilidade sobre os recursos utilizados e sobre os resíduos gerados.
A tecnologia pode ser parte da solução! A conversa com André Cardoso deixa uma mensagem importante para empresários e gestores: sustentabilidade e tecnologia não são caminhos opostos. Ao contrário, a própria tecnologia pode ajudar a construir processos mais eficientes, reduzir desperdícios, ampliar o reaproveitamento de materiais e melhorar a gestão dos resíduos. Mas isso exige uma mudança de cultura.
NM2B reúne lideranças em Fortaleza e debate estratégias de negócios
Fortaleza recebeu, nesta quarta-feira (12), a 5ª edição do NM2B – Nosso Meio to Business, encontro que reuniu cerca de 700 executivos, gestores e lideranças para discutir os desafios atuais dos negócios a partir do tema “A força do que é real”.
Realizado no La Maison, o evento trouxe para o centro das conversas questões como confiança, consistência, construção de marca, liderança e capacidade de transformar estratégia em resultado. Ao longo da programação, nomes de diferentes segmentos compartilharam perspectivas e experiências sobre um mercado marcado pelo excesso de informação, pela aceleração tecnológica e pela necessidade crescente de construir relações mais consistentes entre empresas, consumidores e
profissionais.
BTM apresenta novidades da edição de 15 anos durante lançamento para a imprensa cearense em Fortaleza
O BTM – Brazil Travel Market reuniu representantes do trade turístico, entidades e parceiros nesta quarta-feira (12), em almoço no restaurante Santa Grelha, em Fortaleza, para apresentar as principais novidades de sua 15ª edição. O encontro marcou o lançamento oficial da programação de 2026, que será realizada nos dias 22 e 23 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará.
Conduzido por Breno Mesquita, que representou os também CEOs Claudio Junior e Bruno Mesquita, o almoço apresentou ao mercado o formato preparado para o ano comemorativo e reuniu representantes de entidades estratégicas para o turismo e o setor de eventos, entre elas ABIH Ceará, ABAV Ceará e ABEOC Ceará, além do secretário do Turismo do Ceará, Gustavo Montenegro, e profissionais de diferentes segmentos da cadeia turística.
