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A política miliciana

Foram presos, no domingo (24), três suspeitos de participação na morte da vereadora Marielle Franco

Embora não tenha causado surpresa a Polícia Federal ter concluído que a vereadora Marielle Franco (PSOL) foi trucidada em 2018, com o motorista Anderson Gomes, pelo enfrentamento a milícias no Rio de Janeiro, há motivos abundantes para a sociedade ficar atenta. Afinal, a prisão do deputado federal Chiquinho Brazão (União-RJ), domingo último, do irmão dele, conselheiro do TCE-RJ Domingos Brazão, e do delegado de Polícia Civil Rivaldo Barbosa não foi operação comezinha da segurança pública. Foi, também, mostra do quanto o crime se enfronhou nas instâncias públicas.

E isso é muito, muitíssimo grave. Não que seja novidade. Poucos anos atrás, o então deputado estadual Flávio Bolsonaro e o pai dele, o então deputado federal Jair Bolsonaro, foram à cadeia homenagear com comenda um famigerado miliciano, Adriano da Nóbrega – esse sujeito, matador profissional, tinha mãe e esposa empregadas no gabinete de Flávio e havia inspirado caudaloso, conivente e simpático discurso de Jair na Câmara Federal. As somas que se podem fazer expõem um resultado negativo para o cidadão: a bandidagem fincou bandeira no terreno político. No entanto, a movimentação recente da PF serve para destravar desconfiômetros e filtros. Sendo este um ano eleitoral, convém que se espere nova investida criminosa no meio democrático. E que saibam o eleitor e as instituições, reservando forças, repelir os gângsters e a politicagem miliciana. No Rio, no Ceará e no País inteiro.

AS FALAS

“Desde que a política de direitos humanos chegou ao País a violência só aumentou e passou a ocupar grandes espaços nos jornais (…). Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo”, Jair Bolsonaro, em 12 de agosto de 2003.

AS CARAS

“Naquela região onde a milícia é paga, não tem violência. No centro de Madureira (bairro carioca) tem muito comércio e pequenos shoppings. Quem paga 50 merréis por mês, para alguém daquela área, não tem arrastão no shopping dele”, Jair Bolsonaro, em 27 de outubro de 2018.

FUZUÊ

Como para viajar de Brasília ou do Rio de Janeiro para Fortaleza não precisa de passaporte, o inelegível Jair Bolsonaro estaria de bilhete comprado para vir lançar em 11 de abril a campanha do deputado André Fernandes (PL) a prefeito. Se vier mesmo, inclusive sem precisar passar pela alfândega, Bolsonaro corre o risco de implodir base dele na cidade. É que outros dois bolsominions, Wagner Sousa (União) e Eduardo Girão (Novo), dizem serem também candidatos. Ao lado de quem vão posar, se o depilado André já estiver com o “mito”?

ENTRANHADAS

“(Milícias) São formadas pelos próprios agentes do Estado. É um matador, é um miliciano que é deputado, que é vereador. É um miliciano que é secretário de Meio Ambiente. Sem essa conexão direta com a estrutura do Estado não haveria milícia na atuação que tem hoje”, José Cláudio de Souza Alves, sociólogo e ex-pro-reitor de Extensão da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

QUEM TEM FOME TEM PRESSA

A Assembleia Legislativa entrega nesta terça-feira (26) novo lote de equipamentos a 27 cozinhas solidárias que funcionam nos bairros Álvaro Weyne, Carlito Pamplona, Centro, Cristo Redentor, Floresta, Jacarecanga, Jardim Iracema, Moura Brasil, Pirambu e Praia de Iracema. A ação apoia o projeto Ceará Sem Fome, do Governo do Estado. O número de cozinhas atendidas com novos itens está avançando progressivamente. Sete entregas já foram feitas para 184 unidades, somando 4.830 novos equipamentos doados a cozinhas de 75 bairros. A Assembleia investiu R$ 3 milhões na proposta.

DESAFOGO

Deve chegar nesta semana – mesmo sendo curtinha, espremida entre dois feriados – ao plenário da Assembleia proposta de reajuste salarial para o pessoal que trabalha na Casa. O índice antecipado pelo presidente, Evandro Leitão (PT), será de 5,26% – o mesmo anunciado pelo governador Elmano de Freitas para servidores estaduais.