Quando esta coluna sair, eu estarei a caminho de Belém do Pará. Talvez poucas viagens tenham despertado em mim tanta expectativa nos últimos tempos. Porque existem lugares que a gente visita. E existem lugares que a gente deseja sentir.
Comigo, a comida sempre determina o caminho. Antes mesmo da passagem, do hotel ou dos passeios, eu penso no que quero provar, no que quero descobrir, no que aquele lugar pode acrescentar ao meu repertório gastronômico. Belém sempre ocupou um espaço muito forte nesse imaginário.
A culinária paraense carrega algo difícil de explicar para quem nunca viveu isso de perto: identidade. Uma comida cheia de história, memória, cultura e origem. Sabores que não tentam se adaptar para agradar. Eles existem da forma como são. Intensos, marcantes, autênticos.
Talvez isso me atravesse tanto porque venho do Maranhão. Existe uma proximidade muito clara entre essas culturas. O Maranhão tem algo desse Norte pulsando dentro dele. Nos temperos, nos ingredientes, nas combinações, na relação afetiva com a comida. E, quanto mais eu conheço a culinária nortista, mais fascinada eu fico.
Não apenas pelos pratos, mas pela força cultural que existe em volta deles. Pela forma como cada ingrediente carrega território, tradição e pertencimento.
Essa viagem chega em um momento importante para mim. Um momento em que eu precisava desacelerar, respirar um pouco e, ao mesmo tempo, me alimentar criativamente. Porque, no meu caso, descanso e gastronomia quase sempre caminham juntos.
Viajar para comer nunca foi exagero. Sempre foi pesquisa. Vivência. Construção de repertório.
Quero caminhar pelos mercados, provar ingredientes que fazem parte da rotina local, entender sabores, ouvir histórias, perceber detalhes. Quero viver Belém da forma que mais me conecta com qualquer lugar do mundo: pela comida.
E talvez seja justamente isso que mais me encante na gastronomia. Ela nos aproxima das pessoas. Da cultura. Da memória de um lugar.
Quando esta coluna for publicada, eu ainda estarei chegando. Mas, de alguma forma, sinto que uma parte minha já está lá há muito tempo. E mal posso esperar para viver tudo isso de perto.
