A saúde mental deixou de ser apenas uma pauta do setor de Recursos Humanos. Agora, ela também faz parte da estratégia das empresas, da governança corporativa e da legislação trabalhista. O alerta é evidente. Em 2025, mais de 546 mil brasileiros foram afastados do trabalho por transtornos mentais, o maior número já registrado pela Previdência Social.
Ansiedade, depressão e síndrome de burnout estão entre as principais causas desse cenário, que gera impactos não apenas na vida dos trabalhadores, mas também na produtividade, no clima organizacional e nos resultados financeiros das empresas.
Esse foi o tema da entrevista do Mesa de Negócios Insights com Kássia Sales, presidente da ABRH-CE. O programa completo vai ao ar às 20h desta sexta-feira (30) no canal do Opinião CE no YouTube.
Segundo Kássia, a atualização da NR-1 representa uma mudança importante na forma como as organizações gerenciam seus riscos. Além dos riscos físicos, as empresas passam a considerar também os riscos psicossociais, como sobrecarga de trabalho, metas abusivas, jornadas mal planejadas, falhas de comunicação, conflitos e situações de assédio que podem comprometer a saúde mental dos colaboradores.
A presidente da ABRH-CE destacou que a síndrome de burnout merece atenção especial por, muitas vezes, atingir justamente profissionais altamente comprometidos, que gostam do que fazem e acabam ultrapassando seus próprios limites sem perceber o adoecimento.
Outro ponto importante é o impacto econômico. Os afastamentos prolongados aumentam custos com substituições, reduzem a produtividade das equipes e afetam diretamente os resultados do negócio. Nesse contexto, investir em prevenção deixa de ser apenas uma questão de responsabilidade social e passa a ser uma decisão estratégica.
Kássia Sales explicou que este é um momento de adaptação. A fiscalização tem caráter educativo, permitindo que as empresas ajustem seus processos, implementem programas de prevenção e fortaleçam uma cultura organizacional voltada ao cuidado com as pessoas. No entanto, esse período de orientação não será permanente. Em breve, o descumprimento das exigências poderá resultar em autuações e multas.
A mensagem é clara: cuidar da saúde mental dos colaboradores não significa reduzir a busca por resultados. Significa criar ambientes mais saudáveis, sustentáveis e produtivos, onde pessoas e empresas possam crescer juntas.
A nova NR-1 sinaliza uma transformação definitiva na gestão empresarial. Mais do que cumprir uma obrigação legal, as organizações têm a oportunidade de fortalecer sua cultura, desenvolver lideranças mais humanizadas e construir ambientes capazes de promover bem-estar, engajamento e alta performance.
No fim das contas, empresas que cuidam das pessoas tendem a construir equipes mais fortes, negócios mais competitivos e resultados mais sustentáveis.
Além de orientar as empresas sobre as mudanças na legislação, a ABRH-CE tem desempenhado um papel importante na disseminação de conhecimento sobre saúde mental e gestão de pessoas. Esse ano, a entidade promoveu um fórum que reuniu mais de 200 profissionais, entre empresários, gestores, especialistas e representantes dos órgãos de fiscalização, para debater os impactos da nova NR-1, os riscos psicossociais e os desafios da implementação da norma nas organizações.
O trabalho de conscientização continuará nos dias 29 e 30 de outubro, durante o CEARÁRH 2026, no Centro de Eventos do Ceará. Promovido pela ABRH-CE, o congresso deverá reunir especialistas de todo o país para discutir liderança, inovação, saúde mental, gestão de pessoas e os desafios do futuro do trabalho. A expectativa é que a nova NR-1 seja um dos temas centrais das discussões, reforçando que ambientes de trabalho saudáveis são fundamentais para a competitividade das empresas.
Expansão Experience transforma Fortaleza em palco do empreendedorismo nacional
O Ceará será o ponto de encontro de empresários, líderes e profissionais de diferentes segmentos durante o Expansão Experience, que acontece entre os dias 6 e 8 de agosto, na Rua Solon Farias, 1581, em Fortaleza. Idealizado por Nilsinho Gomes e Marina Gomes, o evento foi criado para estimular o crescimento dos negócios por meio de conteúdo prático, networking qualificado e troca de experiências entre especialistas e participantes.
A proposta é que, ao longo dos três dias de imersão, cada participante construa um plano de crescimento para acelerar os resultados do seu negócio ainda em 2026. A programação reunirá palestras e painéis voltados para temas estratégicos como liderança, gestão, vendas, inovação e escalabilidade empresarial, proporcionando aos participantes uma imersão em tendências e ferramentas aplicadas ao ambiente corporativo.
O evento contará com a participação de nomes de destaque do cenário nacional, entre eles João Kepler, Nikolas Ferreira, Samuel Vagner, Guto Galamba, Victor Carvalho, Cleane Fontenele, Marcos Freitas e Guilherme Oliveira.
Reserva de emergência continua sendo desafio para brasileiros e não dura seis meses
A realidade financeira de milhões de famílias revela um contraste que preocupa. O dinheiro até existe, mas não dura. Levantamento com base no ano de 2025 do Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em parceria com o Datafolha, mostra que 69% dos entrevistados afirmam ter alguma reserva para emergências.
Na prática, porém, 43% ficariam sem esse recurso em até seis meses. O cenário é ainda mais delicado para quase um terço da população, que não tem nada guardado. O resultado aponta para uma espécie de “segurança de curto prazo”, que não sustenta imprevistos mais sérios, como perda de renda, doenças ou despesas inesperadas. Para especialistas em finanças, o problema não está só no hábito de guardar, mas principalmente em como esse dinheiro é gerido.
