No âmbito da investigação sobre a morte da estudante universitária Isabelle Caracristi, o 2º Distrito Policial, na Aldeota, programou colher depoimentos nesta quinta-feira (24). Além de Sara Regina Alexandre Munhoz, mãe de João Munhoz Neto, também comparecem à delegacia o irmão do ex-namorado da jovem, amigos dele e uma amiga da vítima.
Os celulares de João e da mãe dele foram apreendidos e passam por perícia. Até o momento, pelo menos 15 depoimentos já foram colhidos ao longo desta semana.
Sara Regina, que foi exonerada de cargo em comissão na Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) em decisão publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) na terça-feira (22), chegou à delegacia por volta das 11h e não quis falar com a imprensa.
A mulher foi localizada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) na praia de Cumbuco, em Caucaia, no último domingo (20), uma semana depois da morte de Isabelle. Com um mandado de busca e apreensão cumprido, o celular e um tablet foram apreendidos.
Namorado investigado
Na quarta-feira (23), em coletiva, a Polícia Civil do Ceará informou que João Munhoz Neto é investigado por suspeita de violência psicológica contra a universitária e de indução ao suicídio.
João foi preso preventivamente na última terça-feira (22) e teve a prisão mantida pela Justiça Estadual durante audiência de custódia realizada na quarta. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, o suspeito também não teria colaborado com as investigações. “Em nenhum momento, ele se colocou à disposição para o esclarecimento dos fatos”, afirmou o delegado-geral.
Segundo Márcio Gutiérrez, depoimentos colhidos durante a investigação indicam que João teria adotado comportamentos de controle em relação a Isabelle e buscado afastá-la do convívio com outras pessoas. A Polícia Civil também investiga possíveis episódios de violência psicológica e a hipótese de que esse contexto tenha contribuído para a morte da universitária.
“Os depoimentos apontam relacionamento abusivo, violência psicológica. Inclusive, isso foi levado em consideração no momento da prisão. As informações prestadas por testemunhas e obtidas também através da investigação da Polícia Civil apontam que o João mantinha ali uma relação de controle, de limitação de ir e vir. Temos depoimentos que afirmam que a Isabelle não podia sequer ir sozinha à farmácia, descer do escritório”, reforçou Gutiérrez.
A dinâmica do relacionamento, no entanto, ainda será aprofundada a partir de novos depoimentos e da análise dos elementos reunidos no inquérito.
Apartamento teria sido limpo e colocado à venda
Ainda conforme informações apresentadas pela Polícia Civil, depoimentos apontam que, no dia seguinte à morte de Isabelle, João teria retornado ao condomínio onde morava com a universitária para procurar o celular dela. Segundo os relatos, o apartamento teria sido limpo e colocado à venda após a morte da jovem. João também teria proibido a entrada de familiares de Isabelle no imóvel e deixado o local carregando malas.
A movimentação no apartamento já era objeto de apuração da Polícia Civil. A investigação considera a possibilidade de que ações relacionadas à retirada de objetos e à desocupação do imóvel possam ter interferido na preservação de elementos importantes para o caso.
Precipitação voluntária
A investigação da Polícia Civil e os exames periciais realizados pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) apontam que Isabelle morreu após uma precipitação voluntária do rooftop do edifício, conforme informado pelas autoridades.
A queda provocou múltiplas lesões no corpo da universitária, mas, segundo a perícia, não foram identificados sinais de violência física anteriores à queda. A Pefoce também informou que as lesões eram compatíveis com o impacto contra o solo. Apesar da conclusão sobre a dinâmica da queda, a Polícia Civil mantém sob investigação a possível participação de terceiros no contexto que antecedeu a morte, especialmente diante dos indícios relacionados à violência psicológica e à hipótese de indução ao suicídio.
Mais de 700 vídeos são analisados
Mais de 700 vídeos estão sendo analisados pela Polícia Civil como parte da investigação. Segundo Márcio Gutiérrez, não existem câmeras de segurança instaladas no rooftop onde ocorreu a queda. As imagens obtidas de outros pontos do prédio e de áreas próximas, porém, foram utilizadas na reconstrução da dinâmica dos acontecimentos e, segundo a Polícia, corroboram a conclusão sobre a queda. A Pefoce também informou que as imagens de segurança analisadas não apresentaram alterações.
