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Do Ceará ao Everest: Rosier Alexandre conta como superou a extrema pobreza para escalar os Sete Cumes

Primeiro nordestino a conquistar as montanhas mais altas de cada continente, alpinista relembrou ao Opinião CE a infância na zona rural de Monsenhor Tabosa e os desafios até chegar ao topo do mundo
Rosier Alexandre conquistou o Everest em 2026 após três tentativas e completou o desafio das montanhas mais altas de cada continente. Foto: Opinião CE

Da zona rural de Monsenhor Tabosa, no Ceará, ao topo do Everest. A trajetória do alpinista cearense Rosier Alexandre, primeiro nordestino a subir os chamados Sete Cumes, foi construída entre a extrema escassez na infância, o trabalho na roça e um projeto que começou a ser desenhado ainda quando ele era criança.

Em entrevista ao programa Roberto Moreira Entrevista, do Opinião CE, Rosier relembrou as dificuldades enfrentadas durante a infância e adolescência e como elas acabaram influenciando sua trajetória. Ele trabalhou na roça até os 16 anos e afirma que a experiência foi determinante para desenvolver a resistência necessária para os desafios que viriam anos depois. “Toda a dificuldade foi um alicerce para chegar no alto das montanhas.”

Desde criança, Rosier conta que tinha curiosidade em conhecer o mundo. A ideia surgiu depois de ouvir que a Terra era formada por diferentes continentes e países.

A descoberta despertou nele o desejo de viajar e conhecer outros lugares. Ainda menino, transformou a curiosidade em um objetivo. “Estabeleci um propósito: quando crescer, quero viajar o mundo inteiro e saber se ele está falando a verdade.” A entrevista completa está disponível no canal do YouTube do Opinião CE.

Livros de alpinismo despertaram o desafio

Já morando em Fortaleza, aos 28 anos, Rosier começou a ler livros sobre alpinismo. Entre as obras que despertaram seu interesse estava a história de Richard “Dick” Bass, primeiro homem a escalar os Sete Cumes. Bass concluiu o desafio em 30 de abril de 1985. Para Rosier, a história do alpinista serviu como inspiração para transformar o desejo de conhecer o mundo em um projeto relacionado às montanhas.

A partir da leitura, ele passou a considerar a possibilidade de viajar pelo mundo escalando os pontos mais altos de cada continente.

Em 2002, Rosier convocou a imprensa do Ceará para anunciar publicamente o desafio. Segundo ele, a dimensão do projeto chegou a assustá-lo inicialmente. A partir dali, começou uma preparação que envolvia não apenas treinamento físico, mas também planejamento financeiro, estudo das montanhas e preparação psicológica.

“A gente não escala uma montanha antes de ter chegado lá na cabeça”

Para Rosier, o preparo mental é um dos principais fatores para enfrentar uma escalada de alta dificuldade. “Sem dúvida nenhuma. Se você não acredita em um projeto, isso vale para qualquer pessoa, é difícil começar um negócio novo.” O alpinista afirma que passou anos visualizando a chegada ao topo do Everest. Entre os rituais, estava observar imagens da montanha, ouvir a música “Marcha da Vitória” e imaginar como seria estar no cume. “A gente não escala uma montanha antes de ter chegado lá na cabeça.”

A preparação, porém, não se limitava ao aspecto psicológico. Rosier também precisou desenvolver condicionamento físico e estruturar financeiramente as expedições. Outro componente importante era o planejamento de cada escalada. Antes de subir uma montanha, era necessário estudar características do terreno, condições climáticas e períodos considerados mais adequados para a expedição.

Entre os fatores analisados estavam a estabilidade da temperatura, o risco de avalanches e a possibilidade de tempestades.

A trajetória até o topo do Everest não ocorreu de forma imediata. Rosier enfrentou três tentativas antes de alcançar o cume da montanha mais alta do mundo. A conquista foi alcançada em 2026, completando uma trajetória que havia começado muitos anos antes com o objetivo de conhecer o mundo e escalar as maiores montanhas de cada continente. Com a conquista do Everest, o cearense completou o desafio dos Sete Cumes, conjunto formado pelas montanhas mais altas de cada continente.

Cearense Rosier Alexandre saiu da zona rural de Monsenhor Tabosa e se tornou o primeiro nordestino a conquistar os Sete Cumes. Foto: Opinião CE

História virou documentário

A trajetória de Rosier Alexandre também chegou às telas. Dirigido por Ian Ruas, o documentário “O Engraxate que Escalou o Everest” estreou em setembro no Canal OFF e está disponível na Globoplay. O longa acompanha a trajetória do alpinista e os desafios enfrentados durante as três tentativas de chegar ao cume do Everest. A produção também recebeu reconhecimento em festivais de cinema no Brasil e no exterior.

Em outubro de 2025, o filme recebeu o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no Rio Mountain Festival.

Em abril de 2026, conquistou o prêmio de Melhor Longa-Metragem Nacional no Festival Internacional YvY – Festival Internacional de Cinema Ambiental e de Montanhas, realizado em Teresópolis, no Rio de Janeiro. O documentário também foi selecionado para o Festival Internacional de Filmes do Nepal, representando o Brasil. A produção foi escolhida entre cerca de 800 filmes inscritos, de 40 nacionalidades.

A história que começou na zona rural de Monsenhor Tabosa, entre a escassez e o trabalho na roça, transformou-se em uma trajetória de expedições internacionais e chegou ao ponto mais alto do planeta.