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Chapada do Araripe: Faec quer 100 mil hectares para produção e prevê impacto na economia do Cariri

Amílcar Silveira afirma ao Opinião CE que área poderia “colocar mais dinheiro na economia do Cariri do que todas as arrecadações das Prefeituras juntas”
Foto: Divulgação

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, afirmou que o setor produtivo pretende utilizar 100 mil hectares da Chapada do Araripe para produção. Segundo ele, a área seria suficiente para “colocar mais dinheiro na economia do Cariri do que todas as arrecadações das Prefeituras juntas”.

A declaração foi dada ao Opinião CE após o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) esclarecer que a classificação de 89,86% da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe como Zona de Produção não representa uma liberação para desmatamento ou expansão irrestrita das atividades econômicas.

“Isso é negócio, isso é prosperidade, isso é fortalecer uma agricultura que tem na região”, afirmou Amílcar.

A APA possui mais de 1 milhão de hectares, distribuídos por 36 municípios dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí.

Faec defende critérios para produção

Na avaliação de Amílcar, a adoção de “critérios mais rígidos” para a produção em regiões de Área de Proteção Ambiental é algo “razoável”. O presidente da Faec, porém, defendeu a utilização da área para ampliar a atividade produtiva na região.

O Plano de Manejo da APA da Chapada do Araripe foi aprovado pelo ICMBio em agosto de 2026. O documento estabelece regras para organizar os diferentes usos do território e compatibilizá-los com a conservação ambiental. Na Chapada do Araripe, ambientalistas e agentes políticos têm denunciado o avanço do setor produtivo na área. Amílcar afirmou que “políticos aventureiros” estão se aproveitando da “boa-fé do povo” para fazer críticas aos produtores da região.

O presidente da Faec também afirmou que os produtores rurais preservam o meio ambiente “para valer”.

“A nossa legislação ambiental é a mais rigorosa do mundo. Eu estou dizendo que já estive em outros locais e estou afirmando isso. Nos Estados Unidos, por exemplo, não existe essa disposição de ser reserva legal”, contou.

O que diz o ICMBio sobre o zoneamento

De acordo com o ICMBio, o zoneamento da APA não significa autorização irrestrita para atividades econômicas ou para desmatamento. A unidade de conservação possui áreas públicas e privadas e territórios onde já existem moradias, atividades agropecuárias, comércio, turismo e outras formas de ocupação. O órgão afirma que o zoneamento estabelece regras baseadas na legislação vigente para assegurar a conservação da biodiversidade existente na região.

O ICMBio também considera que afirmações de que a classificação representa uma liberação irrestrita para atividades econômicas contribuem para a disseminação de desinformação sobre o tema. Continuam valendo normas ambientais como a proteção de Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reservas Legais, além do licenciamento ambiental, das regras para uso da água e da proteção de espécies ameaçadas.

Zoneamento teve participação de comunidades e produtores

Segundo o ICMBio, o zoneamento foi elaborado com base em critérios técnicos e em um processo participativo. Foram considerados aspectos como biodiversidade, recursos hídricos, cobertura vegetal, uso e ocupação do solo e características socioeconômicas. O processo contou com a participação de comunidades, produtores rurais, pesquisadores, organizações da sociedade civil, universidades e órgãos públicos.

A proposta do Plano de Manejo é estabelecer regras para o uso de um território que já possui diferentes formas de ocupação, buscando conciliar as atividades existentes com a conservação da biodiversidade, dos recursos hídricos e a garantia da qualidade de vida das comunidades.

Plano de Manejo será apresentado no Cariri

O Plano de Manejo da unidade de conservação será apresentado aos munícipes das cidades abrangidas pela APA no dia 17 de setembro, a partir das 8h30, no Auditório do Núcleo de Prática Jurídica do Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão).