A Prefeitura de Fortaleza reuniu mais de 20 órgãos municipais nesta quarta-feira (26) para discutir ações do Protocolo de Calor e Saúde de Fortaleza e o pacote de medidas preventivas para reduzir os impactos do fenômeno El Niño na Capital.
Segundo estimativas da Defesa Civil de Fortaleza, o período mais crítico do El Niño na Capital deve ocorrer entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Diante da previsão, o Município prepara ações que devem se prolongar ao longo do próximo ano.
Para enfrentar os possíveis impactos do fenômeno, Fortaleza criou o Comitê de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño (COE El Niño) e o Plano de Contingência (Plancon El Niño). De acordo com o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza (Ipplan), Artur Bruno, a iniciativa busca integrar o planejamento urbano às ações de saúde pública.
“É preciso que estejamos cientes dos riscos climáticos e sanitários provocados pelo calor extremo, entendendo seus efeitos diretos e indiretos nas desigualdades territoriais e na necessidade de prepararmos os serviços públicos”, destacou Bruno.
O coordenador da Defesa Civil de Fortaleza, Haroldo Gondim, afirmou que as estratégias estão sendo elaboradas para atuar diretamente na prevenção e proteção da população. “Nossas estratégias de proteção ao cidadão englobam o monitoramento contínuo, a preparação da comunidade, além do envio de alertas preventivos e a atuação direta de agentes de saúde e da Defesa Civil em pontos estratégicos”, destacou.
Protocolo de Calor e Saúde reúne universidades e instituições
A construção do Protocolo de Calor e Saúde de Fortaleza envolve a articulação de 32 secretarias e conta com apoio científico de especialistas da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade de Fortaleza (Unifor), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A coordenação técnica é realizada pelo Ipplan Fortaleza, Defesa Civil e Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Segundo a vice-presidente do Ipplan, Lia Parente, os efeitos do calor extremo ultrapassam o desconforto térmico e podem representar riscos à saúde.
“O calor extremo não é apenas uma questão de desconforto térmico, mas um risco real à saúde de humanos, animais de estimação e animais silvestres. Com o Protocolo, Fortaleza estabelece fluxos claros e integrados para garantir assistência priorizada às populações mais vulneráveis”, reforça.
Cenário internacional e riscos climáticos
De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o próximo episódio de El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados desde 1950, quando começaram as medições.
A agência estima mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte até 2027 e 69% de chance de que o fenômeno alcance intensidade histórica, superando episódios anteriores. Nesse cenário, a anomalia da temperatura da superfície do mar na região do Pacífico pode chegar a 2,5°C ou mais no último trimestre de 2026. A NOAA também aponta 95% de probabilidade de um evento fortíssimo entre outubro e dezembro de 2026. De acordo com a previsão, o Hemisfério Norte deve concentrar os maiores impactos nesse período.
Impactos e riscos para o Brasil
A possibilidade de um El Niño de forte intensidade amplia a preocupação com os impactos econômicos provocados por eventos climáticos extremos. Segundo levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), entre 2022 e 2024. O El Niño torna o cenário ainda mais relevante para diferentes regiões do País. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o fenômeno costuma estar associado a chuvas mais volumosas no Sul e à redução das precipitações em partes do Norte e Nordeste.
