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Estátua do Diabo: “Estão usando a polêmica para espalhar fake news”, diz prefeito Marcelão

Marcelo Ferreira Teles afirma que o caso está sendo explorado politicamente contra ele e a esposa, candidata a deputada estadual.
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O prefeito de São Gonçalo do Amarante, Marcelo Ferreira Teles, conhecido como Professor Marcelão, afirmou que a polêmica em torno da estátua dedicada ao diabo está sendo usada para espalhar notícias falsas contra ele e contra sua esposa, Geórgia do Marcelão, candidata a deputada estadual.

Em vídeo divulgado neste sábado (15), o prefeito disse, sem citar nomes, que há pessoas agindo de má-fé e utilizando a situação com fins políticos.

Segundo Marcelão, a obra da estátua foi embargada depois que técnicos da prefeitura constataram que a licença concedida pela Secretaria de Meio Ambiente (Sema) autorizava a construção de um templo religioso, e não de uma estátua. O prefeito também confirmou ter assinado um abaixo-assinado organizado por lideranças cristãs do município, entre padres e pastores, que pede a retirada da estátua. O documento deve ser encaminhado ao Ministério Público para análise.

Entenda a polêmica da estátua

A polêmica envolvendo uma estátua de 11 metros que representa o Diabo, instalada no Palácio Estrela Negra da Quimbanda, na comunidade das Guaribas, em São Gonçalo do Amarante, ganhou repercussão após a inauguração do monumento, em 25 de julho.

A escultura foi apresentada durante as comemorações pelos 29 anos do templo religioso e foi idealizada pela sacerdotisa conhecida como Mãe Rainha das Trevas. Segundo ela, a obra foi construída em terreno pertencente ao próprio templo, com investimento superior a R$ 100 mil, utilizando recursos próprios. A líder religiosa afirma que o monumento representa sua fé, além de simbolizar respeito e gratidão à espiritualidade que segue.

Nos dias seguintes à inauguração, a imagem da estátua passou a circular nas redes sociais e provocou ampla repercussão. Em 3 de agosto, diante da discussão, a Prefeitura de São Gonçalo do Amarante divulgou uma nota afirmando que o templo religioso havia cumprido a legislação ambiental e urbanística e todas as normas aplicáveis. A gestão municipal informou que a Licença Ambiental e o Alvará de Construção haviam sido emitidos após autorização do Governo do Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Na ocasião, a Prefeitura também destacou a proteção constitucional à liberdade religiosa, à liberdade de crença e ao livre exercício dos cultos religiosos.

A situação ganhou um novo capítulo em 6 de agosto, quando o prefeito Professor Marcelão afirmou que as autorizações concedidas não tratavam especificamente da estátua. Segundo o gestor, o documento apresentado pela Sema autorizava a construção de um “templo religioso”, mas não fazia menção à instalação de um monumento.

O prefeito informou que técnicos da Sema e da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo do Município fariam visitas ao local para verificar se a estrutura estava de acordo com as exigências técnicas. Caso fossem identificadas irregularidades, poderiam ser feitas novas recomendações ou até mesmo ocorrer o embargo da obra.

O prefeito também relatou preocupação de parte dos moradores com a presença da escultura e afirmou ter se reunido com padres e pastores evangélicos para tratar do assunto. Segundo ele, a questão deveria ser analisada sob critérios técnicos e não como um caso de intolerância religiosa. A estátua está localizada em uma área de proteção ambiental administrada pela Sema, o que tornou as autorizações ambientais um dos pontos centrais da discussão.

Enquanto a Prefeitura anunciava a análise técnica da situação, Mãe Rainha das Trevas passou a contestar publicamente as críticas e os ataques que, segundo ela, foram direcionados ao templo e à sua religião nas redes sociais. Em vídeo publicado em 9 de agosto, a sacerdotisa afirmou que o monumento representa sua fé e acusou críticos de promoverem intolerância religiosa, racismo religioso e discursos de ódio. Ela também declarou que pretendia tomar providências diante dos ataques que relatou ter recebido.

Na manifestação, a líder religiosa também explicou que o significado atribuído ao Diabo na tradição que segue é diferente da interpretação presente em outras religiões. Segundo ela, a figura representa elementos como proteção, misericórdia, paz e transformação espiritual. Mãe Rainha das Trevas também rebateu questionamentos sobre os rituais realizados no templo e afirmou que os animais utilizados em práticas de sacralização são destinados à alimentação e à doação.

Assim, a polêmica passou a envolver diferentes aspectos: de um lado, a discussão sobre as autorizações ambientais e urbanísticas e a possibilidade de a licença concedida ao templo abranger ou não a instalação da estátua; de outro, o debate sobre liberdade religiosa e os ataques sofridos pela comunidade religiosa. A Constituição Federal assegura a liberdade de crença, enquanto a legislação brasileira prevê punições para práticas de discriminação ou preconceito motivadas por religião.

Até a última atualização dos relatos, o caso permanecia sob análise técnica dos órgãos ambientais. A Prefeitura havia informado que Sema e Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo fariam uma avaliação da estrutura para verificar sua adequação às autorizações concedidas. Paralelamente, a repercussão da estátua transformou o caso em um debate que ultrapassou São Gonçalo do Amarante, envolvendo liberdade religiosa, intolerância, racismo religioso, legislação ambiental e regularidade das autorizações públicas.