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Irmãos ressignificam a perda do pai a partir da própria paternidade

Carlos Eduardo e Felipe Galdino transformaram a saudade em legado ao criar seus filhos inspirados nos ensinamentos deixados pelo próprio pai
Felipe Galdino (esquerda) e Carlos Eduardo (direita) descobriram a paternidade em meio ao luto e transformaram os ensinamentos do pai em legado para Ramon e Eloá. Foto: Arquivo Pessoal

A chegada de um filho costuma representar o início de uma nova etapa na vida. Entre descobertas, responsabilidades e aprendizados, nasce também uma nova forma de enxergar o mundo. Para os irmãos Carlos Eduardo e Felipe Galdino, porém, a paternidade chegou acompanhada por outro sentimento: a saudade. Em momentos diferentes, os dois viveram a experiência de se tornarem pais enquanto precisavam lidar com a perda do próprio pai.

Carlos Eduardo viu o nascimento do filho, Ramon, ser seguido, pouco tempo depois, pelo luto. Felipe, por sua vez, enfrentou uma ausência ainda mais silenciosa: quando Eloá nasceu, o avô já não estava mais presente para conhecê-la. São duas histórias unidas por uma mesma herança: a de manter vivos, por meio dos próprios filhos, os ensinamentos de quem um dia lhes mostrou o caminho da paternidade.

A alegria de um nascimento e a dor da despedida

Quando Ramon nasceu, Carlos Eduardo viveu todas as emoções da primeira paternidade. A felicidade de segurar o filho nos braços vinha acompanhada da responsabilidade de conduzir uma nova vida. “Ser pai pela primeira vez foi um conflito de emoções: felicidade por ter meu primeiro filho e, ao mesmo tempo, preocupação por saber que seria uma enorme responsabilidade“, conta.

As descobertas aconteceram naturalmente. Vieram as noites em claro quando o bebê adoecia, as preocupações típicas dos primeiros meses e, principalmente, a transformação que só a chegada de um filho é capaz de provocar. “Os momentos felizes foram todos os dias desde que ele nasceu. Minha vida se transformou totalmente.

Mas a alegria deu lugar, pouco tempo depois, à dor da despedida. O pai de Carlos faleceu quando Ramon ainda era recém-nascido. “Foi muito difícil porque meu pai não conseguiria acompanhar o crescimento do seu primeiro neto. Também porque, em qualquer dificuldade que pudéssemos ter, ele não estaria conosco para nos ajudar.”

O primeiro Dia dos Pais ganhou, então, um significado completamente diferente. Pela primeira vez, Carlos ocupava o lugar que sempre enxergou no pai, mas sem poder compartilhar esse momento com ele.

Ensinar como aprendeu

A ausência não diminuiu a referência paterna. Pelo contrário. Carlos conta que os ensinamentos recebidos ao longo da vida continuam presentes na educação do filho. “Perder meu pai não influenciou em nada minha forma de ver a paternidade. Só me deu mais forças para fazer o máximo pelo meu filho, assim como ele fez por mim e pelos meus irmãos.”

Entre todos os valores herdados, um permanece como prioridade. “Levo muitas coisas que meu pai me ensinou para a educação do meu filho. A principal é o respeito.”

Hoje, ele diz que a maior recompensa está em acompanhar o crescimento de Ramon. “O amor incondicional pelo meu filho só aumenta a cada dia. A maior experiência que tive como pai foi segurá-lo nos braços pela primeira vez. Mas, com o passar do tempo, vê-lo crescendo com saúde, felicidade e amor é algo que não consigo descrever.”

Uma filha que conheceu o avô pelas histórias

A experiência de Felipe Galdino seguiu um caminho diferente. Seu pai faleceu antes do nascimento de Eloá. Quando chegou o momento de descobrir o que significava ser pai, ele já não podia recorrer aos conselhos, às conversas ou ao abraço de quem havia ocupado esse papel em sua vida. A chegada da filha aconteceu em meio ao luto, obrigando Felipe a construir sua própria maneira de exercer a paternidade a partir das lembranças deixadas pelo pai.

Sem que avô e neta pudessem se conhecer, Eloá crescerá ouvindo histórias, conhecendo os valores e os ensinamentos daquele que continua presente na memória da família.

Um legado que atravessa gerações

Embora tenham vivido experiências diferentes, Carlos Eduardo e Felipe compartilham uma mesma certeza: a figura do pai permanece viva na forma como educam seus filhos. Carlos teve a oportunidade de ver o pai conhecer Ramon, ainda que por pouco tempo. Felipe guarda a saudade de um encontro que nunca aconteceu entre Eloá e o avô. Em ambos os casos, porém, a ausência não interrompeu a história. Ela apenas mudou a forma de contá-la.