O amor de mãe se manifesta de formas diferentes. Para algumas, ele vem com a leveza de um parto tranquilo e um bebê saudável nos braços. Para Regiane Almeida, ele veio envolto em incerteza, medo e fé, dentro de uma UTI neonatal. E foi justamente dessa experiência que nasceu não apenas uma nova versão dela, mas também um livro capaz de acolher outras mulheres que enfrentam a mesma dor.
Da UTI ao livro
Regiane é autora de “Corações Prematuros”, obra que narra sua experiência como mãe de filhos nascidos prematuramente e atendidos no Hospital Geral Dr. César Cals, em Fortaleza. A publicação detalha não apenas a batalha pela sobrevivência dos bebês, mas também a transformação profunda que a maternidade em condição de risco provoca em uma mulher.
“Eu senti que precisava transformar a dor em algo que pudesse ajudar outras mães. Durante a UTI, muitas vezes me senti sozinha, com medo e sem saber o que fazer. Quando tudo passou, entendi que minha história não podia ficar só comigo. Ela precisava alcançar outras mulheres que estão vivendo esse momento tão difícil”, conta.
A decisão de escrever não foi apenas terapêutica. Foi um ato de generosidade de quem sobreviveu a uma “turbulência“ e decidiu estender uma “mão amiga” para quem ainda está no meio dela.
Uma mulher transformada
Regiane reconhece que saiu da experiência como uma pessoa diferente. “Antes, eu era uma mulher com sonhos, mas sem imaginar a força que existia dentro de mim. Depois de tudo que vivi, me tornei uma mãe mais forte, mais resiliente e cheia de fé. A UTI não só salvou meus filhos, ela também me transformou completamente”, afirma.
Houve momentos em que ela mesma duvidou de sua capacidade de seguir em frente. “Houve muitos momentos em que eu achei que não ia conseguir suportar. As incertezas, o medo constante, ver meus filhos tão pequenos lutando pela vida, tudo isso mexe muito com a gente. Mas, mesmo no meu limite, eu encontrava forças neles e na fé para continuar”, relembra.
O Dia das Mães com outro significado
Para quem viveu o que Regiane viveu, datas como o Dia das Mães ganham um peso diferente. “O Dia das Mães, pra mim, tem um significado muito profundo. Eu celebro a vida dos meus filhos com ainda mais gratidão, porque sei tudo o que enfrentamos pra chegar até aqui. E hoje, além de mãe, eu também carrego a missão de acolher outras mães que estão passando pela prematuridade”, diz.
Referência para outras mães
O que começou como uma história pessoal se tornou fonte de força para muitas mulheres. Regiane não esperava ocupar esse lugar, mas hoje reconhece o propósito por trás de tudo que enfrentou. “É uma responsabilidade muito grande, mas também é muito especial. Saber que minha história pode dar força pra outra mãe não desistir me emociona muito. Eu nunca imaginei me tornar essa referência, mas hoje vejo que tudo o que vivi teve um propósito”, reflete.
Se pudesse voltar no tempo e falar com ela mesma nos dias mais difíceis, a mensagem seria direta: “Você é mais forte do que imagina. Confia no processo, mesmo sem entender. Seus filhos vão vencer, e você também.”
Regiane encerra com uma mensagem para quem está vivendo hoje o que ela viveu: “Eu sei que dói, eu sei que dá medo, mas você não está sozinha. Respira, um dia de cada vez. Seu bebê está sendo cuidado, e você é mais forte do que pensa. Vai chegar o dia em que você vai olhar pra trás e ver o quanto você venceu.”
