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“Projeto falido”, diz Missias sobre proposta de pulverização por drones, compromisso de Elmano

O deputado estadual Missias Dias, o “Missias do MST” (PT), teceu críticas à possibilidade de um projeto que permitiria a pulverização de agrotóxicos por meio de drones seja aprovado na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece). Na última sexta-feira (6), o governador Elmano de Freitas (PT) falou a empresários do ramo da agricultura sobre uma possível aprovação deste tema, que poderia vir até o final do ano. Missias, em entrevista ao Podcast Questão de Opinião, do OPINIÃO CE, disse entender a pressão que o chefe do Executivo estadual sofre do ramo, mas que vai fazer a defesa “naquilo que acredita e acha correto”, que é a rejeição a esse projeto, o qual classificou como “falido”.

Nesta terça-feira (10), o projeto de autoria do deputado estadual Felipe Mota (União Brasil), sobre a possibilidade da aprovação da política agropecuária, avançou na Assembleia, ao ser aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Casa do Legislativo. Antes de seguir para o Plenário, a matéria vai ter que passar por mais quatro comissões.

Em seus argumentos para o posicionamento contra o tema, Missias afirmou que é preciso pensar em um modelo de agricultura sustentável. “O que estamos vendo hoje, rios e rios de venenos a cada dia sendo jogados na natureza, no meio ambiente, na água que estamos bebendo, nos alimentos que estamos consumindo, estamos criando uma sociedade doente. Uma população doente que a capacidade de vida pode diminuir”, afirmou.

“Jogar veneno e matar a diversidade que temos em detrimento de ter que aumentar a produção, ‘porque o agronegócio tem que avançar para a exportação e garantir a balança comercial’, é um discurso que não funciona mais”, destacou o deputado, que afirmou ser preciso estar “em defesa da vida e do meio ambiente”.

Sobre a pressão do setor agropecuário, o deputado apontou que não é preciso que se chegue no final do ano e dizer que obteve um lucro bilionário, uma vez que esse ganho viria em detrimento da saúde da população. “É legal para quem? Muito dólar vendido, mas quantas pessoas estão nos hospitais doentes? Quantas pessoas estão morrendo? Quantos hectares de terra estão sendo desmatados e quantos hectares estão sendo envenenados? Quantos quilômetros de água do subsolo estão sendo contaminados? São questões de lógica que me parece que, em pleno século XXI, é um debate que precisamos refazer e reajustar”, concluiu.

Em 2019, foi sancionada uma Lei que proíbe a disseminação de agrotóxicos por aeronaves. A Lei Zé Maria do Tomé foi oriunda de um projeto apresentado por Renato Roseno (Psol) e que contou com coautoria, inclusive, do então deputado estadual Elmano de Freitas, que agora defende a pulverização aérea. Durante a entrevista, Missias lembrou da Lei e que a aprovação do projeto iria de encontro com o que diz a Legislação.